A década perdida Portuguesa e a narrativa socialista

20 de fevereiro de 2005, uma data negra. Precisamente há dez anos, com 45,03% dos votos e 121 deputados no parlamento, José Sócrates chegava ao poder. Acabou por fazer dois mandatos, o segundo incompleto, já sem a força do primeiro. 20 de fevereiro de 2015, José Sócrates está preso há precisamente 90 dias.

De 2005 a 2011, foi uma tal quebrar ilusões como não há memória. Várias foram as situações que foram marcando o percurso de José Sócrates enquanto primeiro-ministro. Se algumas delas eram infundadas e apenas má-língua, outras não o seriam, como se tem vindo a descobrir. Os boatos sobre a sua orientação sexual, a demissão de Pedro Santa Lopes por Jorge Sampaio, o caso Freeport e outros escândalos levaram à fragilização da sua imagem. O ex-líder do Executivo, que conseguiu pela primeira vez uma maioria absoluta para o Partido Socialista, está hoje preso preventivamente, indiciado pelos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Já na campanha de 2005 se falavam em escândalos, inclusive do seu alegado envolvimento no processo de viabilização do centro comercial Freeport em troca de “luvas”, na qualidade de ministro do Ambiente do governo de António Guterres.

Em 2007, durante o seu primeiro governo, colocou-se em causa a sua licenciatura em Engenharia Civil. O diploma de 1996 tinha a data de um domingo e as notas dos exames finais tinham sido lançadas, num mesmo dia, em agosto.

Mais recentemente, no processo Face Oculta, o procurador distrital de Aveiro considerou que o conteúdo das escutas era passível de configurar um crime de atentado ao Estado de Direito, por darem a entender que Sócrates estaria no centro de um plano concertado para controlar os órgãos de comunicação social. As comunicações acabaram destruídas por ordem do presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Eventualmente, a sorte parece ter chegado ao fim. O antigo primeiro-ministro estava há muito sob escuta telefónica e durante esse tempo o Ministério Público terá acumulado provas de que Sócrates tinha um nível de vida que não se adaptava aos seus rendimentos declarados.

Dez anos passaram e o país pouco mudou. Há inclusivamente quem ainda acredite na honestidade e inocência de José Sócrates, e quem já hoje estivesse disposto a votar no seu discípulo e parceiro politico, António Costa. Nos últimos 10 anos o estado pesado consumia quase metade da riqueza nacional e Portugal foi um dos países do mundo em que o PIB menos cresceu, resultado evidente das políticas ruinosas do desgoverno socialista, que pôs em causa as atuais e futuras gerações portuguesas.

Durante grande parte dos últimos dez anos, o estado deu e viveu acima das suas possibilidades e a corrupção levou o resto da riqueza Portuguesa. Em 2011, depois de esvaziar os cofres portugueses, José Sócrates finalmente foge para Paris, mas não sem antes pedir mais de 70 mil milhões de euros à Troika e assim endividar ainda mais o país, sujeitando-o às regras brutais dos nossos credores.

A “austeridade” foi uma correção. O problema foi o desequilíbrio resultante de anos sucessivos de défice e de aumento da dívida pública cujo campeão se chama José Sócrates. Claro que nem cidadãos, nem políticos desejam a austeridade. É muito mais popular politicamente prometer “o fim da austeridade”, prometer mais despesa e menos impostos. Infelizmente, as leis da matemática e da economia assim como a realidade não se alteram com retórica.

Hoje, com o Governo da coligação, pagamos os juros mais baixos de sempre [juros a curto prazo muito perto do zero na mais recente emissão do tesouro]. O país finalmente cresceu e está de volta ao bom caminho [PIB cresceu 0,9% em 2014]. Hoje, mesmo depois de um duríssimo plano de assistência financeira, o país bate records no turismo [crescimento superior a 10% tanto no numero de dormidas, hospedes e proveitos segundo o Instituto Nacional de Estatística], o emprego sobre [desemprego desce 2,3 pontos percentuais face a 2013 de acordo com o INE] e Portugal consegue o maior volume de sempre de exportações [subida estimada em cerca de 3%].

Cabe-nos a nós, portugueses de hoje, manter o caminho da recuperação para nunca mais termos de passar por tamanhos sacrifícios e esquecermos de vez a década perdida de José Sócrates e do Partido Socialista.

João Carlos Loureiro


[1] “Do Auge Ao Declínio Em 10 Anos.” Sábado. Press – Imprensa Livre, S.A., 20 Feb. 2015.
[2] “José Sócrates Ainda Está Preso?” José Sócrates Ainda Está Preso? , 20 Feb. 2015.
[3] “A Austeridade E O Seu Contrário.” O Insurgente. N.p., 12 Feb. 2015.

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