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“A minha casa é um monte de lixo!”

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Somos instantes…

No momento em que eu acabar de escrever este artigo, acabará o momento e jamais o conseguirei resgatar do passado.

Se é certo que o passado e o futuro não estão preparados para nós, também é garantido que a vida por mais momentânea que nos pareça, é o resultado da equação das escolhas sobre as atitudes.
Estamos a ser instantes demasiados pesados para um planeta que até há pouco tempo procurávamos viver em simbiose. Acontece que mudamos rapidamente de paradigma e o atropoceno insiste em dominar uma nova era que se adivinha aniquiladora da espécie humana. Tive, muito recentemente, contacto com essa nova palavra – Antropoceno – que trocando por miúdos, designa o novo período geológico definido pelo impacto das acções humanas.

Sem querer ser entediante na descrição desse impacto, saliento que por ano são depositadas oito toneladas de plástico nos oceanos, sendo que cerca de 300 mil toneladas de plástico chegam ao Mediterrâneo afectando 100 mil mamíferos e um milhão de aves. Por agora nada de novo, a não ser as terríveis previsões da  World Wide Fund (WWF), organização ambientalista internacional, que anuncia que  95% dos resíduos plásticos encontrados no Mediterrâneo vão chegar em primeiro lugar à costa portuguesa. É assustador!

Poderia desenrolar uma data de números, factos e relatos, mas chega-me estarem 15 graus em junho.
O problema é sobejamente conhecido, está devidamente estudado e noticiado. O que está a falhar é acharmos que ainda temos tempo, é continuarmos a ser demasiado comodistas e não percebermos que é realmente urgente mudarmos os nossos hábitos.

O nosso planeta é a nossa casa comum e a nossa casa é cada vez mais um monte de lixo, estamos com o nosso egoísmo a comprometer as gerações futuras.

Se não agarrarmos o momento, jamais o resgataremos do passado, se não alterarmos a equação seremos apenas instantes num universo e num planeta que existirá muito para além de nós. Para já ainda é possível, mas até quando?

Patrícia Sá Carneiro

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