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As Histórias São Reais

1.- o segundo festival internacional de cinema. decorreu no porto. sob o lema “as nossas histórias são reais”. de um a oito de dezembro do corrente ano. fui a uma das sessões. cinco de dezembro. à noite. a cidade do porto raiava cultura. pessoas e pessoas na baixa. com o colorido das crianças e das luzes de natal. eu fui ao teatro rivoli. e vi dois filmes. um “the vanity tables of douglas sirk”. de mark rappapor. outro “iris” de albert maysles. a sala estava cheia. e era a grande. algumas centenas de pessoas. muita. muita gente muito nova. um bom festival este que se designa por porto/post/doc. quase que me esquecia de fazer referência ao número de filmes. setenta filmes foram os passados. no rivoli. no passos manuel. no maus hábitos. há também que o meu filho faz parte da organização. sim o daniel. aquele daniel que em anos passados entregou à camara da maia um projeto. a pedido desta. de dinamização do cinema na maia. ainda está à espera da resposta. é a vida. mas estamos agora noutra. como diz o nosso povo. e esta vai seguindo o seu caminho. mas estava a falar na quantidade de pessoas presentes. sobretudo jovens. uma jovem tinha o cabelo de duas cores. o que é normal. gosta e pronto. mas lá estava para ver dois filmes. quando uma cidade palpita cultura como o porto. é porque tem vida. e essa sente-se. é bom. muito bom. estar numa sala cheia como a do rivoli. no porto.

2.- o primeiro filme teve uma duração de onze minutos. sobre as mulheres e os toucadores. que para o homem se chamam espelhos. bem conseguido e trabalhado. para dizer que as mulheres no cinema são mais que meros acessórios. mas muito mais. a caraterística principal do filme era o simbolismo dos toucadores. como reflexo da inutilidade da mulher. afinal um misterioso filme sobre as mulheres nos mundos de hoje. nomeadamente no americano. e o seu papel muito premente e não-ilusório. o segundo filme conta a história de uma mulher. a iris. com noventa anos ainda andava na moda. mas a moda era ela. a moda fazia-a ela. como individualidade. com energia comparável à da mulher. desde que se conheceu sempre a criar a moda em si. de forma que todos os órgãos de informação a queriam ouvir. os novos talentos da moda também. um bom contraste entre os dois filmes. a complementarem-se um ao outro. este com a duração de setenta e oito minutos.

3.- os públicos criam-se. fazem-se. não aparecem por aparecer. com estas iniciativas só é demonstrado termos em portugal gente cheia de coragem. não adormecida no sofá. mas crepitante. incomoda. como os filmes que apresentam. gente útil à sociedade. que a coloca em causa. que reflete as contradições e trabalha-as. sem medo de agir. sem ficar indiferente. contagiante. para um outro país que está nas suas mãos. valeram bem as palmas no fim de cada filme. merecidas. mesmo com apreciadores com o cabelo a duas cores. sinal que não são carecas.

4.- de regresso à maia não deixei de pensar nesta cidade. sem barulho. sem cor. uma cidade sem a cultura do cinema. não faz públicos. porque amorfa. sem brilho. onde as luzes de natal não possuem brilho. não há choro de crianças. não há natal. o cinema faz cidade. a cidade faz cinema. não são meras trocas de palavras. mas o sumo que se tira. um constrangimento. ou um inconseguimento como alguém disse. não está em causa o poder local. mas a significância desse poder. de serviço ou não. não estão em causa os dirigentes do poder local. mas a dinâmica desse poder/serviço. às vezes a letargia é a diária da cidade. então não há cidade. uma não-cidade. e tudo isto a respeito do porto/post/doc. uma reflexão em tempo de natal. pessoalíssima. não contra. mas a favor.

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade

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