Cidades, as novas centralidades

Vivemos num mundo global, onde não existem fronteiras, quer para mercadorias e pessoas, ou mesmo barreiras para a informação.

O acordo de Schengen foi um contributo importante para uma mobilidade entre vários estados, esta proximidade diluiu as diferenças e re-centrou o próprio território em causa. Hoje, tal como no passado, as oportunidades de emprego condicionam a mobilidade, contudo enquanto até há algumas décadas atrás isso se verificava do interior para o litoral do nosso país, hoje verifica-se a nível global.

As multinacionais são o grande veículo de mobilidade laboral, principalmente porque precisam de manter uma cultura empresarial homogénea à chegada a um novo mercado, o que obriga a recrutar membros de outras filiais onde esse processo de aculturação está completo. As multinacionais hoje em dia não escolhem novos mercados apenas pelo país, mas sim pela cidade onde se vão instalar e as oportunidades que daí podem advir.

Hoje em dia as maiores empresas do mundo, nomeadamente no que toca à prestação de serviços, escolhem novos locais para as suais filiais de acordo com as características das cidades de acolhimento, não sendo o país um factor prioritário.

Este investimento por outro lado, pressupõem mão-de-obra qualificada, por consequência mais poder de compra ou seja, uma melhoria da qualidade de vida para a generalidade da população da cidade em causa.

Devido a este cenário as cidades hoje concorrem entre si, tal como empresas, hoje vemos uma cidade como Braga a competir internacionalmente muito devido à Universidade do Minho, às patentes lá criadas, assim como ao empreendedorismo que se vive numa cidade que cada vez mais vive de, e para a Universidade.

O caso da Maia é paradigmático, os seus acessos rodoviários, a sua zona industrial ( a maior do norte de Portugal ), um aeroporto internacional, um aeródromo, um parque de ciência e tecnologia, a proximidade de um porto marítimo, um instituto de ensino superior, a proximidade da cidade do Porto etc… torna a nossa cidade um caso sério nesta rede global do desenvolvimento.

Neste momento de enorme dificuldade que o nosso país atravessa, devemos olhar mais para estes casos de sucesso e potencia-los, definindo uma visão estratégica para uma região, onde os municípios mais do que competirem, complementarem-se, maximizando as suas características e potencialidades. Desta forma as próprias empresas passarão a olhar para as autárquicas como parceiros estratégicos e não com empecilhos burocráticos.

O Presidente da Republica pode viajar com os maiores empresários do país por mercados estratégicos, mas enquanto não ajudarem as PME’S a resistir à crise não serão criados postos de trabalho, por isto, o nosso Governo deve olhar para as autárquicas como a oportunidade de criar pólos positivos junto das populações, onde realmente se faz a diferença.

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