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Comandos, comandita, e o preço da paz

A tragédia que se abateu sobre o 2 elementos que constituíam o curso para comandos é lamentável. Aliás, a perda de qualquer vida é sempre de lamentar e deve sempre suscitar um inquérito bem apurado para se estabelecer as causas.

Tenho para mim a firme convicção que o treino de uma força militar tão exigente e especializada é algo que se deve ter em conta. Os processos de selecção deverão ser duríssimos, assim como a monitorização do seu treino, porque imagino que a tarefa para qual são treinados estes militares esteja ao alcance de poucos.

Não há muito tempo (cerca de 10 anos), os nossos “Comandos” eram unanimemente considerados como uma das melhores tropas de elite do Mundo. Tanto que houve reportagens na comunicação social para os conhecermos melhor. Julgo que desde então os processos formativos não tenham desaparecido, e que tenham até melhorado.

Como médico, levanto apenas duas questões. Sendo certo que nas suas missões terão que enfrentar situações limite, parece-me que o treino no limite fará todo o sentido, mas fará sentido avaliar duas vertentes fundamentais: Primeiro o processo de selecção inicial. Desconheço inteiramente como, quando e quais os candidatos são seleccionados, mas a julgar pelo acidente, será algo a rever. A segunda vertente passa pelo acompanhamento físico e psicológico destes militares. Como disse o treino deve ser perante situações limite, mas o acompanhamento nunca deve faltar, nem falhar de modo a salvaguardar a saúde de qualquer um.

Importa referir que já houve diversos cursos e que só em raras ocasiões acontecem desgraças, pelo que acredito que se tratou de uma falha pontual, cujo inquérito de averiguação se encarregará de responder.

Julgando por muitos dos militares que recorrem à minha consulta, o treino militar é duro… muito duro… deixa algumas mazelas físicas… mas tenho a firme convicção que quem opta por esta via profissional já tem esta consciência e aceita este facto.

Lamentável tornou-se o aproveitamento político por parte de alguns partidos políticos. Esquecem-se que estamos perante uma guerra invisível, sobre um adversário que não tem rosto, e que não tem medo de abater civis e infra-estruturas civis. Estarão esquecidos de Nova Iorque, Paris, Madrid, só para citar alguns?

O preço da nossa sensação de Paz nem sempre se vê, e são estes militares, cujo treino árduo lhes permite responder perante situações limite, que nos asseguram esta sensação de Paz.

Um aproveitamento político é sempre lamentável. Normalmente diz muito sobre como as pessoas estão na política, e provavelmente como atingiram esta responsabilidade. Viver num mundo de fantasia e fantasista parece-me ainda mais grave.

Admitia a discussão se as nossas forças armadas deveriam ou não colaborar mais na protecção civil (que jeito teriam dado numa ajudinha aos fogos). Não admito a discussão de os eliminar.

Aproveito para agradecer a todos os membros de protecção que colaboram para termos paz. Graças a eles não valorizamos este sentimento de segurança… e acreditem que este sentimento… é impagável!

Ricardo Filipe Oliveira,
Médico;
Doc. Universitário UP;
Lic Neurof. UP;
Mestre Eng. Biomédica FEUP ,
não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico
[email protected]

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