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Educação: Desenvolvimento, Inclusão, Competitividade, Desafios

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A Educação é um dos factores que mais contribui para o desenvolvimento de uma qualquer sociedade. Diria mesmo que é o instrumento que, de forma efectiva, mais combate as desigualdades sociais. De tal forma que a igualdade de oportunidades no acesso à formação e ao conhecimento é fundamental para a afirmação de uma ideia de justiça social assente no mérito.

Não é por simples acaso que o acesso a uma “Educação inclusiva, de qualidade e equitativa” é um dos objectivos principais da “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” aprovada pelas Nações Unidas em Setembro de 2015.

E nesta realidade, é uma evidência que Portugal deu um salto bem grande nos últimos anos, sendo todavia verdade que tem ainda muito trabalho a fazer e novos desafios a enfrentar.

O número de alunos a frequentar o ensino superior há 40 anos atrás não ultrapassava os 80 mil, hoje chega aos 360 mil.

Em 1970 quase 26% da população portuguesa não sabia ler nem escrever, hoje o valor não chega aos 5% e situa-se essencialmente entre a população mais idosa. Mas ainda temos cerca de 30.000 pessoas analfabetas em idade activa, ou seja entre os 18 e os 65 anos de idade. Um dos valores de analfabetismo mais elevados da Europa.

A taxa de abandono escolar precoce caiu de 38% em 2006 para 13,5% em 2015, situando-se a média da União Europeia nos 11%.

O número de diplomados do ensino superior em Portugal, entre os 30 e os 34 anos, subiu de 12,9% em 2002 para 31,9% em 2015, mas ainda longe do objectivo da União Europeia para 2020, que é de 40%, e que em 2015 já tinha atingido em termos médios, considerado o conjunto dos seus 28 Estados-membros, os 38,7%.

Mas Portugal vai chegar lá, com maior ou menor dificuldade, mesmo que com algum atraso. É um destino que não oferece grandes dúvidas. Os últimos estudos da OCDE o indiciam. E o investimento na Educação é matéria que não divide a sociedade portuguesa e que o Estado, independentemente das lideranças governativas, tem assumido como prioridade nos últimos anos.

É aliás inegável que uma boa parte dos nossos estabelecimentos de ensino oferece actualmente formação de boa qualidade, mesmo ao nível dos países mais desenvolvidos. Não é por acaso que já é bem significativo o número de alunos estrangeiros que procura as nossas universidades para prosseguir os seus estudos. E se é verdade que muitas das empresas de outras geografias que actualmente procuram instalar-se em território português o fazem essencialmente pelo baixo custo da nossa mão-de-obra, não é menos verdade que para essa decisão também contribui, em algumas áreas, a qualidade formativa dos nossos jovens licenciados. Aliás, é frequente ouvir-se de investidores estrangeiros, que a relação “preço/qualidade” da mão-de-obra portuguesa é claramente superior, quando comparada com a de outros países, supostamente mais desenvolvidos…

Sendo que nada acrescentaremos ao futuro de Portugal e dos nossos jovens, se continuarmos passivamente a aceitar o destino de sermos “privilegiados” simplesmente pelo baixo custo da nossa mão-de-obra. Pelo contrário, temos a obrigação de assumir a ambição de ser referenciados e beneficiados, mas pela qualidade e competências dos nossos recursos humanos. Aqui estará um dos instrumentos mais importantes da nossa competitividade futura.

Mas para tal, temos que continuar a investir em formação de qualidade, mas formação orientada, que acrescente valor e responda às reais necessidades da sociedade, e designadamente do tecido empresarial produtivo. O que tudo vale tanto para o ensino superior, como para o ensino técnico e profissional, sendo que este carece em Portugal claramente de mais atenção e de ser mais valorizado. E desde logo, perceber que o mundo de hoje é muito diferente do mundo de ontem, e que o mundo de amanhã vai ser seguramente muito diferente do mundo de hoje. Com a nuance de que agora tudo acontece e se transforma de forma cada vez mais rápida, o que dificulta de sobremaneira a capacidade de planear e prever com segurança.

A globalização e o digital trouxeram novas oportunidades e novos desafios, mas também mais competição, exigência e interdependência. Parece que tudo ficou mais próximo, inclusive o próprio “futuro”. O então quase impossível, parece cada vez mais possível…

Vivemos numa época de grande volatilidade e incerteza, em que os ciclos económicos e de inovação são cada vez mais curtos. O que hoje é, amanhã já foi…ou pode não ser. Todos já percebemos que daqui a 10, 15, 20 anos, algumas das profissões dos tempos de hoje deixarão de existir e aparecerão outras que nesta altura não vislumbramos, e que os drones e os veículos não tripulados deixarão de ser simples realidades de filmes de ficção científica e passearão pelas nossas cidades, como o fazem hoje as bicicletas, as motos ou os automóveis. Estamos a iniciar a era da “Industria 4.0” e da “Economia Circular”. E a robótica e a inteligência artificial já chegaram…<

Daí que as nossas escolas e as nossas universidades tenham necessariamente que se disponibilizar para trabalhar mais em rede, assumindo mesmo processos de internacionalização, procurando novos parceiros, partilhando experiências e conhecimentos, e acima de tudo, procurando em conjunto novas soluções. E é fundamental promover uma maior cumplicidade entre o ensino superior e o tecido empresarial, não só a nível do planeamento e desenho dos “cursos”, por forma a assegurarem respostas adequadas às necessidades laborais das empresas, mas também enquanto parceiros activos de produção de inovação.

Sendo importante que se perceba que a realidade empresarial mais exigente de hoje (e estou certo, mais ainda a de amanhã…) não diferencia os seus recursos humanos apenas pelas qualificações e pelas competências, mas também pelos valores e pela mundividência.

São tempos complexos e desafiantes aqueles que se aproximam, e em que o conhecimento e a capacidade de o usar em ordem a acrescentar valor, continuarão a fazer a diferença, mas em que a inclusão e a integração do individual no processo e interesse colectivo não deverão ser novamente negligenciados…

Paulo Ramalho
Vereador da Economia e das Relações Internacionais da Câmara Municipal da Maia

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