Hoje, o meu deus é Charlie

“A guerra é o jogo supremo porque representa, em última análise, o romper da unidade da existência. A guerra é deus.”

  Cormac McCarthy in “Meridiano de Sangue”

Foram várias as vezes que reflecti sobre a intenção de escrever um texto de tudo isto.  Reflecti por não querer que este texto parecesse apenas mais um que, para “aproveitar” a natural atenção do público a este momento, resolvia escrever algo para parecer bonito, ou para como alguns, parecer (como é o caso de uma senhora com responsabilidades europeias) ridículo. Contudo, após toda a reflexão e levando eu já alguns anos de escrita em blogs e jornais, senti-me na obrigação de me solidarizar com todos os franceses, neste que é um momento de enorme perda para todos.

Ontem, em França, sofremos um dos mais bárbaros ataques à liberdade da Europa. Quando tentam intimidar e calar a imprensa, ficamos todos a perder.

Quanto à culpa, não é da Europa e das políticas europeias, não é dos franceses e não é ,de todo, dos profissionais da imprensa. Pelos vistos, a culpa é de  um qualquer deus (propositadamente escrito com letra minúscula), em que alguns acreditam e que julgam defender.

Seja lá quem for deus, seja que deus for, tenho sérias dúvidas que defenda isto.

Se isto é deus, se deus é Guerra, regressando assim ao autor da frase com que iniciei o texto, então o meu Deus é Charlie.

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