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Quanto melhor conheço o comercio internacional, mais certeza tenho que a afirmação ( ou falta dela ) dos produtos portugueses deve-se à falta de estratégia, de sentido colectivo e cooperação do governo, associações empresariais e das próprias empresas.

Sempre que conheço algum estrangeiro, europeu em particular, faço questão de dizer que sou Português, e pergunto o que acha do momento que Portugal vive, ora, nos últimos meses reparei que a opinião tem vindo a melhorar, sendo no meu entender o momento ideal para o Governo Português fazer exigências aos parceiros europeus, afinal uma parceria faz-se de cedências de ambos os lados.

Somos cumpridores, através de muito esforço e sacrifício, temos vindo a cumprir o memorando, sendo que é fundamental dizer à Europa ( leia-se Alemanha ), que se querem ver Portugal crescer é preciso existir condições para isso. A Europa deve ser a principal interessada em impulsionar a nossa economia, logo deve existir uma promoção/sensibilização para a qualidade dos nossos produtos, tem de deixar de existir uma desconfiança constante dos povos do norte da Europa face aos produtos produzidos no Sul, o caso dos pepinos Espanhóis é um bom exemplo dessa desconfiança.

Este é o momento de exigir mais solidariedade aos estados-membros, é natural quererem receber juros face aos empréstimos que nos fizeram, não precisamos de perdão da divida, precisamos que nos deixem crescer… Portugal não pode ver os seus vinhos ( por sinais os melhores do mundo ), expostos numa prateleira num super mercado alemão com a legenda ” Spain “, a origem é parte importante do valor percepcionado por parte do cliente, Portugal só precisa de ter as mesmas oportunidades que os outros estados membros, visto que valor não falta.

Vejo um conjunto de empresas inovadoras, que apostam cada vez mais no valor acrescentado, no design, colocando-se ao nível de franceses e italianos no que ao mercado de luxo diz respeito.

Apesar disso, vejo empresários ainda muito egoístas, empresas muito fechadas em si mesmo, no seu sucesso, no seu lucro, esquecendo-se que não tem escala nem capacidade para ombrear com as melhores marcas do mercado. Só com organização, estratégia a longo prazo e parcerias entre empresas de sectores complementares poderão impulsionar os seus negócios.

Os empresários são elite financeira, seria expectável que também fossem a elite intelectual do país, contudo parecem comportar-se como aquele agricultor de antigamente, sem formação, apenas preocupado com o seu quintal. Felizmente as novas gerações, quando tem oportunidades, tendem a contrariar esta visão que acabei de espelhar, gerações que já cresceram a ouvir falar na crise, onde os recursos são quase inexistentes, desde cedo perceberam que o trabalho em grupo é fundamental para o sucesso.

Em suma, acredito que numa crise onde quase todas as portas se fecharam, abriram muitas janelas, se todos percebermos que Portugal somos nós, que sair da crise depende de nós, estou certo que juntos conseguiremos afirmar Portugal como um país exportador, não de produtos de fraca qualidade e a preços acessíveis como no passado, mas de produtos únicos, inovadores, voltando a encarnar a mesma atitude empreendedora que nos levou a descobrir o mundo.

 

 

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