Mais e melhor saúde por menos dinheiro

Boas notícias para os Portugueses. O Ministério da Saúde sempre se decidiu a autorizar a comparticipação da nova medicação contra a Hepatite C e ainda por cima a 100%.

Após muitos avanços e recuos, o Ministério da Saúde optou, em minha opinião, por uma boa solução. Aliás, pela única solução, a comparticipação total da medicação.

Parece-me que o tempo que levou a esta decisão foi demasiado longo, contribuindo para a manutenção de uma morbilidade desnecessária da doença e para um aumento da dolência descabido, inadequado e arriscaria desumano.

O ministério prolongou em demasia uma negociação que sabia não ser possível tirar partido, apenas para ganhar tempo, não sei muito bem para quê.

Mais uma vez, o Sr. Ministro da Saúde, o Dr. Paulo Macedo, demonstrou qualidades gestoras inequívocas de uma qualidade acima da média, mas terá de rever no curto prazo quem o apoia e aconselha no que diz respeito às decisões clínicas.

Mais importante que esta decisão devemos aproveitar para refletir todo o percurso que nos trouxe até a este ponto. Afinal, o nosso tão querido Serviço Nacional de Saúde (SNS), não tem recursos ilimitados, e caminha a passos mais largos do que era possível imaginar para uma restrição nos tratamentos passiveis de ser oferecidos aos doentes.

Caminha para um modelo mais próximo daquele que se pratica nos Estados Unidos, e mais longínquo daquele praticado noutros países da Europa, como o Reino Unido, a França ou a Suíça, só para referir alguns.

Esperemos que agora tudo possa ser célere, e os tratamentos cheguem o mais rapidamente a quem deles precisa.

Para já, o circuito organizado, parece-me muito competente, com a preocupação da evicção de repetições de tomas ou de repetições de inscrições de doentes. Assim seja fácil a reprodução em tempo no terreno.

Com os antivíricos de acção directa foi permitida uma enorme evolução no tratamento da hepatite C, mas noutros países Europeus, estes fármacos que são bastante onerosos, são apenas dados a casos mais graves. Em Portugal, “não há fome que não dê em fartura”, tendo-se optado por tratar todos os infectados. Apesar do valor não ter sido revelado, aparentemente parece que o preço dos tratamentos pode ser diminuído substancialmente que por estimativas recentes ficaria por cerca de 48 mil euros num período de 12 semanas.

Mais uma vez, parece que na saúde se mantém a máxima de Mais e Melhor saúde custa menos dinheiro.

Ricardo Filipe Oliveira
Médico
Mestre Eng. Biomédica (FEUP)
Lic. Neurofisiologia (UP)
Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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