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“Myanmar e o drama dos Rohingya”

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Estamos a assistir em Myanmar à maior vaga de refugiados desde do fim da guerra no Vietnam.

Desesperados e aterrorizados uns aventuram-se ao mar em embarcações frágeis e precárias, enquanto outros, mais de 300 mil, procuram refúgio e abrigo no Bangladesh. Milhares de crianças, homens e mulheres estão em campos de refugiados a tentarem sobreviver em condições sub-humanas.

Será que por momentos conseguimos fazer um esforço de colocarmo-nos na pele destas pessoas? Fica difícil, eu sei, mas vale o exercício.

Em 1982 com a entrada em vigor da lei da nacionalidade, foi retirado aos Rohingya o direito à cidadania sob o pretexto de não integrarem a “raça nacional”. Os Rohingya são uma pequena etnia constituída por muçulmanos, ora a estes foi retirado o acesso a bens alimentares, a cuidados de saúde, à educação, são inclusive impedidos de trabalhar fora das suas aldeias, promovendo assim o isolamento, a par disso necessitam de autorização governamental para coisas tão básicas como, casar e viajar.

O partido liderado por Aung Sam Suuski, vencedora do prémio Nobel da Paz em 1991, obteve uma maioria esmagadora nas últimas eleições , contudo aos Rohingya foi negado o direito ao voto, sendo que a perseguição e o massacre continua até hoje.

Em setembro o alto-comissariado das nações unidas para os direitos humanos, Zeid Ra”ad Al Hussein, catalogou o que se está a passar em Myanmar como “um exemplo de limpeza étnica”.

Vou mais longe, em Myanmar está a viver-se a repetição do holocausto, onde forças militares perseguem e matam indiscriminadamente uma minoria que professa outra religião que não o budismo, religião essa dominante no país.

A visita do Santo Papa Francisco, recolocou o tema e apontou os holofotes mundiais para este problema humanitário.

A nós cabe-nos o direito à indignação face aos factos, e sim, podemos fazer alguma coisa. Hoje os cidadãos, embora pense que não, têm um grande poder nas suas mãos, que vão desde as redes sociais ás petições e até mesmo à ajuda de organizações humanitárias, tais como a Unicef.

Porque a sociedade só o é enquanto indivíduo.

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