Marco Correia

Novos Pólos de Desenvolvimento

No mundo global onde vivemos, onde não existem fronteiras físicas, linguísticas e de circulação, onde as pessoas viagem cada vez mais e onde a informação circula a um ritmo nunca antes visto, seria de esperar falarmos de organizações supra nacionais como motores de desenvolvimento, contudo numa economia de pequena escala como a nossa, ainda vale a pena ter em conta o plano regional.

Precisamente pela língua, a moeda e a circulação já não serem obstáculos, cada vez mais escolhemos o local para onde vamos viver em função das oportunidades, oportunidades essas que podem surgir através de duas realidades, localização geográfica ou capacidade de atração.

A geografia sempre definiu a distribuição de riqueza, na esmagadora maioria dos casos, cidades no litoral são mais ricas do que cidades no interior, locais com acesso ao mar, rios, estradas, aeroportos etc, sempre se desenvolveram mais rapidamente, contudo, fará sentido na Era da democratização da internet, um local estar condenado à desertificação pela sua localização ?

Não podemos esperar que o Governo central defina toda a estratégia de investimento quando temos pequenas empresas de qualquer ponto do país a exportar para os quatro cantos do Mundo. Hoje a riqueza do nosso pais depende muito mais da capacidade de nos organizarmos em micro-realidades e gerarmos valor, postos de trabalho e desenvolvimento.

Hoje ainda olhamos para o orçamento de uma Câmara Municipal e vemos uma fatia grande dos seus recursos focados em manutenção de arruamentos e obras de todo tipo, e vemos poucos recursos direcionados para a proximidade com empresários e empreendedores locais, ou apostas no desenvolvimento de sinergias com as Universidades e Escolas Profissionais. Será cada vez mais a este nível que se vão criar novas centralizardes de desenvolvimento, e cada vez menos a geografia implicará exclusão ou menor capacidade de competir.

Neste cenário todos nós temos responsabilidades, devemos ser exigentes em todas as dimensões deste processo, não podemos esperar que façam o trabalho por nós, mas devemos exigir condições favoráveis para nós próprios estarmos na origem das oportunidades.

Marco Correia

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