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Planeamento

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Portugal tem o péssimo hábito assente nos seus dirigentes de resolver os problemas no imediato. Com frequência se esquecem de planear e reformar atempadamente de forma a rentabilizar custos e recursos que tanto escasseiam aos portugueses.

Existe, na grande maioria dos políticos profissionais, um discurso retórico que visa pouco construir, mas antes defender o seu forte ou tentar assaltá-lo.

Recentemente, essa sra. Alemã que dá pelo nome de Merkle disse uma barbaridade, que embora não tenha as repercussões gramaticais que as famosas tiradas do treinador do Benfica assumem, são um tanto ou quanto despropositadas… bem… ignorantes mesmo. Não fica bem referir que um país tem uma taxa de licenciados muito alta, quando aqueles que defendemos apresentam mais 10% do que Portugal. Aliás, Portugal até se encontra abaixo da média Europeia!!!

Eu, que até sou a favor de uma Europa Federalista, continuo a ficar surpreendido com a falta de visão de alguns dos responsáveis!

No entanto, nem tudo foi mau. Isto, porque as declarações levaram a uma reflexão nacional sobre as politicas de ensino. Permita-me o leitor que enfoque o ensino da medicina, área onde me acho mais capaz de reflectir.

Há 40 anos atrás tínhamos uma ratio de médico por 1000 habitantes, muito baixo, muito baixo mesmo relativamente aos do mundo desenvolvido. Hoje em dia o nosso ratio de médicos andará pelos 340 médicos por cada 100 mil habitantes. Um valor que é superior a países como a França, Inglaterrra e Dinamarca e espante-se… maior que os EUA! E… semelhante à Holanda e Suécia. Estamos a falar de números do INE de 2011. Terão estas nações pior qualidade saúde que nós? Não me parece.

Adicionalmente, a formação de cada médico ronda os 120 000 (!!) ao erário público, e já se prevê que neste ano não hajam vagas de colocação na especialidade para todos os jovens médicos. Aliás, alguns dos países do Norte da Europa, esses malandros que são pobrezinhos, já perceberam que lhes fica mais barato vir a Portugal contratar médicos com qualidade de excelência do que gastar os Euros estatais a formá-los! Mas afinal quem é que é rico?

A formação de um médico é um processo longo, que demora, no mínimo 11 anos a ser concretizada… Valerá a pena continuar a alimentar sonhos e a destruir profissões?

Na Alemanha não faltam licenciados, embora curiosamente recrutem com frequência médicos portugueses, mas faltam quadros intermédios. Adicionalmente, e perdoem-me o resgate do orgulho luso, a verdade é que a alma Lusitana tem uma capacidade produtiva, de empreendorismo e de flexibilidade muito fora da média Europeia. E isto não é retórico, é a verdade, se não conte os portugueses em cargos dirigentes pelo mundo fora… Agora compare com qualquer outro país… Consegue? Trata-se do famoso desenrasque lusitano!

Urge planificar, urge reflectir, urge antever os problemas do futuro para os começar a resolver hoje… Só assim seremos competitivos!

Ricardo Filipe Oliveira
Médico
Mestre Eng. Biomédica (FEUP)
Lic. Neurofisiologia (UP)

Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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