Preservar os dedos e os anéis

Nas últimas semanas o assunto central dos media e da opinião pública em geral tem girado em torno da TAP.

Discursos e argumentos de um lado, contra discursos e contra argumentos do outro, numa tentativa, quase insana de desvalorizar os esforços de cada parte para se chegar a um acordo. Se calhar para não se chegar a nenhum acordo…
Assistimos a um grupo unido a lutar por direitos, contra um organização institucional e entre muita informação e contra informação quase que ficamos sem perceber onde está a razão. Aliás ficamos mesmo sem perceber se existe razão!
Certo é que, muito provavelmente, com estes avanços e recuos a TAP não terá condições para se manter a laborar, necessitando de ser privatizada. Contudo, e se fizermos um esforço para nos distanciarmos conseguimos apercebermo-nos que se calhar até era essa a intenção das partes.

Numa altura de contenção de tantos custos porque motivo o esforço não deveria ser transversal? Porque motivo devem existir excepções?

A recente declaração do nosso primeiro ministro foi infeliz “A TAP tem de ser privatizada a qualquer custo”, mas isso revela uma frieza perante números de assinalar. Outros diriam o que a opinião publica queria ouvir…

Efectivamente todos os intervenientes neste conflito contribuíram para esta situação. Efectivamente, os gestores da TAP ganham fortunas não comparáveis com os seus congéneres de outras companhias. Efectivamente a TAP é uma mais valia para a economia nacional. Efectivamente, quando todos ralham, provavelmente ninguém tem razão.

O que me preocupa, sinceramente, é que estamos na iminência de perder um dos maiores activos da economia nacional… mais um aliás. A mão que segura a economia nacional já tem poucos anéis, e não tarda teremos de iniciar o corte dos dedos… Quando isso acontecer, o que sobrará?

No meio desta desgraça, surgem números animadores, como o aumento do PIB (finalmente!!!), a diminuição do numero do desempregados e novo aumento das exportações com consequente equilíbrio da balança comercial.

A terminar outra noticia que nos deve deixar a refletir. Este ano vão abrir menos USFs do que estava previsto. Aliás, só está prevista abertura de uma unidade. O modelo das USF tem sido bem sucedido… Claro está que não é a caixa de pandora que muito fazem dele, mas é sem dúvida uma ajuda para a melhoria dos cuidados. Como todos os modelos precisa de ajustes e de uma correcta interpretação. A poupança em saúde só pode passar pela melhoria nos cuidados de saúde primários, quer nos seus meios técnicos, quer nos físicos, mas sobretudo nos humanos.

Os melhores devem ser reconhecidos por isso. Só um investimento, com retorno pessoal e financeiro nos cuidados de saúde primários, conseguirá a medio prazo obter o resultados positivos a todos os níveis, mas sobretudo a nível económico e social no nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Esta notícia pode até nem ser má… se for assegurado o investimento adequado neste nível de acesso ao SNS.

Até lá…

Tentemos todos preservar os dedos… mas também os anéis!

Ricardo Filipe Oliveira,
Médico;
Doc. Universitário UP;
Lic Neurof. UP;
Mestre Eng. Biomédica FEUP ,
não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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