Semana Maior: O Jesus

1.- Ainda na Semana Grande, ou Maior, ou Santa, por isso, falemos um pouco do protagonista maior: Jesus. Na altura em que Jesus nasceu, e é um facto histórico, existiam muitos resistentes antirromanos chamados Jesus, como Jesus, filho de Safat ou Jesus, filho de Ananias ou até sacerdotes como Jesus, filho de Fiabi, por isso mesmo o nosso Jesus é conhecido como Jesus de Nazaré ou Jesus o Cristo, Yehoshua Khristus, que quer dizer Jesus o ungido, tradução grega de Messias. De acordo com todas as fontes históricas a povoação origem de Jesus é Nazaré e no Talmude, Jesus é adjetivado pelo ha-nosrí, que significa Nazareno. O lugar onde Jesus nasceu Belém da Judeia. Mas a sua vida decorreu na Baixa Galileia, de Nazaré. Na Galileia passou a maior parte da sua vida, cerca ou mais de trinta anos, de acordo com a data do seu nascimento que não é coincidente com o ano 0 lunar, mas entre seis/sete e quatro anos antes. Em Belém teria nascido num curral de uma casa pertencente a José, dado que o primeiro andar estaria ocupado, e não havia mais qualquer outro. Até aqui as fontes são seguras, embora não se saiba o que Jesus fez durante os trinta anos, terá estudado, sabia ler – nunca escreveu nenhum livro -, seria carpinteiro como seu pai ou mesmo agricultor, é possível, até, as duas coisas e uma criança como todas as outras.

2.- Um dos pormenores interessantes é a ligação de José e Maria, esta era de Nazaré da Galileia, mas quanto a José seria de Belém da Judeia, daí se ter inscrito nesta cidade. Não existem dúvidas que José e Maria eram casados, mas ainda não viviam juntos, como era costume na sociedade de então. A sua convivência matrimonial seria antes de Jesus nascer, segundo o Evangelho Mateus, quando um anjo apareceu a José, e este acolheu Maria de imediato. Na altura assinava-se um acordo matrimonial – a ketubá – , era preparada a residência, a mulher ficava em casa dos pais até um ano, para preparar o enxoval e depois celebrava-se a festa do casamento, que não teria sido celebrada no caso de José e Maria, por isso irregular aos olhos dos contemporâneos e com todas as suas consequências. Em Nazaré as pessoas referiam-se a Jesus, como filho de Maria ou então como Jesus, o filho de José, o filho do carpinteiro e a cronologia bíblica refere sempre o pai. O último episódio bíblico em que aparece a família, José, Maria e Jesus, foi quando da sua deslocação a Jerusalém, tinha Jesus doze anos e Jesus sai de Nazaré após os trinta anos. José teria falecido entre os cinquenta e setenta anos de idade, era muito mais velho que Maria, por isso a sua omissão nos relatos. Maria, que teria contactos com os irmãos e irmãs de Jesus, viveu em Nazaré, até algum tempo depois da morte de Jesus, seu filho.

3.- De acordo com fontes apócrifas Maria teria morrido, adormecido, passagem, assunção, em Jerusalém dois anos após a morte de Jesus, por volta dos seus cinquenta e cinco anos e foi mãe aos dezasseis anos. O termo grego parthenos, aplicado em Mateus, para Maria, pode significar “virgem” ou então “rapariga núbil em idade de casar”, mas este livro [Mateus] aplica-o claramente no sentido de “virgem”.

4.- Jesus foi crucificado dada a intervenção de duas instâncias que podem condenar à morte: as romanas e as judaicas. Se foi Pôncio Pilatos o juiz que decretou a condenação as autoridades judaicas foram as que apresentaram as razões para tal. E elas eram: Jesus um opositor das instituições judaicas, atacando o templo, a Lei e o ritual; Jesus seria um perigo para a estabilidade política; Jesus era um falso profeta, como outros que apareceram anteriormente; Jesus era um blasfemo, porque atribuía a si próprio uma condição divina, e assim, substituindo Deus. O grupo que moveu todas as suas influências para a condenação era constituído maioritariamente por sumo-sacerdotes, com Caifás à cabeça e consentimento de Anás, seu sogro. Jesus é condenado à morte por crucifixão, um suplício infamante, reservado a escravos, e que não poderiam ser cidadãos romanos. O cortejo de Jesus, mais dois condenados, não passaria à parte das centenas de pessoas que se preparavam para a celebração da Páscoa em Jerusalém, muitas das quais às compras, e foi seguido nomeadamente por muitas mulheres chorosas, entre as quais a sua mãe, embora o percurso não fosse demasiado, uns trezentos metros.

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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