SOS estatístico!!!

Portugal tem-se destacado nos números estatísticos na saúde por uma excelência que tem sido reconhecida em organizações importantes como a Organização Mundial de Saúde (O.M.S.).

Muitos destes números foram conseguidos à custa de verdadeiros visionários da Saúde Pública Nacional como o Sr. Professor Doutor Constantino Sakellarides, ou entre uma vasta equipa de médicos com enorme competência. Mas também à custa de outras personalidades igualmente distintas como o “nosso” maiato Dr. Albino Aroso, que vimos partir recentemente.

Devido ao aproveitamento do seu conhecimento, da sua capacidade visionária, do seu amor à profissão e sobretudo por um patriotismo que lhes permitiu investir nos portugueses acreditando que eles mereciam esse investimento, e, mais, acreditando que era possível ter dignidade na saúde, mas também na doença, foi-lhes conseguido revolucionar completamente os cuidados primários, secundários, mas sobretudo em áreas até então desprezadas como a prevenção primordial e a prevenção primária.

Com as suas intervenções foi possível a Portugal alcançar lugares de luxo nos países da OCDE quanto à mortalidade infantil, que por si só revela o estado de desenvolvimento (sobretudo social, mas não só) de um país.

Esta semana foi disponibilizado um documento pela Direcção Geral de Saúde com dados verdadeiramente preocupantes.

Se em 2009 tínhamos dados orgulhosamente na “linha da frente” do desenvolvimento, a verdade é que tudo se inverteu rapidamente. Se não vejamos, a taxa de natalidade caiu de 9.4 para uns preocupantes 8.5. Em contrapartida, apesar de em linha com o verificado em 2009, a verdade é que depois de um bom desempenho estatístico em 2010, desde então as taxas de Mortalidade infantil, a taxa de moralidade Perinatal e a taxa de Mortalidade Fetal Tardia tem vindo a aumentar, estando já ao nível do que já verificava em 2009.

Ora tendo sido o pais submetido a um resgate, pode haver muitas e diversas conclusões. No entanto, pessoalmente, a conclusão é simples: por mais habilidosa que seja a politica, por melhor que seja o argumento que se encontre, por mais engenharia que se invente, a verdade é que os números não mentem,,, e estes em particular denotam que neste capitulo, sem investimento, sem os cuidados necessários, a qualidade diminui efectivamente. A prova está que actualmente nasce menos gente, e morrem mais crianças.

Adicionalmente, com estes dados de natalidade, associada a uma taxa de emigração jovem (quase toda muito diferenciada) muito elevada, estamos a assistir uma inversão perigosamente consistente da pirâmide etária. Ou seja, o país está a desaparecer…

Já que a nossa classe politica utiliza estatísticas externas para tanta coisa, esperemos que consigam usar o seu próprio trabalho de casa para acudir a este verdadeiro SOS estatístico.

 

 

Ricardo Filipe Oliveira

Médico

Mestre Eng. Biomédica (FEUP)

Lic. Neurofisiologia (UP)

 

Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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