Viva Abril, sem esquecer que vem aí Maio!

Numa semana em que se festejam dois feriados nacionais, proponho fazer uma pequena reflexão sobre os ganhos e perdas desde o 25 de Abril nos últimos 41 anos.

Desde logo, para alguém como eu que teve o privilégio de sempre viver em liberdade democrática, torna-se um pouco complicado enquadrar questões simples que os mais anciãos relatam.

Por isso, e toldado pela objectividade que procuro reger a minha vida, enveredei pelo caminho mais fácil. Esse caminho passa pela análise de dados estatístico que houvesse então e compará-los com os dados actuais.

Uma das piadas deste exercício, passa inclusivamente por compreender a obsessão com que agora colhemos dados para analisar tudo e mais alguma coisa. Efectivamente, anteriormente não existia essa preocupação.

É frequente ouvirmos expressões como “era preciso o Salazar para endireitar isto” ou outras semelhantes. Assim este exercício, permite a pessoas como eu tentar entender como vivemos e como vivíamos.

A verdade, é que independente do angulo que utilizemos para analisar os dados disponíveis estamos na maioria dos itens, muito muito melhores. E se também é verdade que 41 anos, não significam nada na vida de um país, a verdade que Portugal, bem ao seu jeito desenrascado conseguiu evoluções fantásticas e diria, em tempo recorde no seu período democrático.

Vejamos alguns dos principais: muito maior escolaridade (pese embora ainda inferior à media Europeia), maior frequência de ensino universitário (um aumento na ordem dos 500%!!), menos abandono escolar. Maior população inscrita na segurança social (em 1971 estavam a beneficiar da segurança social pouco mais de 9000 (!) pessoas), menor trabalho infantil, que no fundo têm condicionado outras aberturas profissionais.

Algo de negativo tem a ver com o índice de dependências de idosos e de jovens. O primeiro aumenta significativamente à custa do segundo, provando haver um crescente aumento da população idosa que requer os cuidados especiais por muitos já discutidos.

Não deixa de ser engraçado que sem Abril… não existia Maio. E que sem Abril, se calhar não existiam tantas outras coisas que nem valorizamos por considerarmos adquiridas.

A verdade é que é-nos fácil criticar o que se passa actualmente, é-nos fácil criticar as estratégias seguidas, é-nos fácil criticar as opções estratégicas politicas que não nos favorecem. Contudo, se olharmos friamente para os números, concluímos que temos tido sorte, perspicácia e engenho para melhorarmos em quase todos os parâmetros da nossa sociedade.

Claro está que só é verdadeiramente livre, quem tem um emprego, quem tem independência financeira, quem consegue pensar e agir sem condicionalismos.

No entanto, os nossos antepassados de Abril, fizeram-nos o favor de nos permitirem ir descobrir a liberdade à medida que evoluímos, e a verdade é que quanto mais liberdade conquistamos, mais realizados nos sentimos.

Viva Abril, sem esquecer que vem aí Maio!

Ricardo Filipe Oliveira,
Médico;
Doc. Universitário UP;
Lic Neurof. UP;
Mestre Eng. Biomédica FEUP ,
não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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