(Well) Made in Portugal

O crescimento das exportações de mobiliário português não impulsiona só uma onda de orgulho no que é nacional: é um incentivo à compra, dentro de portas. É para isso que chega este artigo.

 

19%: é este o aumento do volume de exportação do sector português do mobiliário e colchoaria registado em janeiro e fevereiro, face ao período homólogo do ano passado. Segundo a Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins (APIMA), esta percentagem traduz-se em 224 milhões de euros procedentes, na sua maioria, de França – o principal destino das mobílias nacionais, que é seguido por Espanha, Alemanha e Angola.

Não é de espantar. Este ano, a Maison & Objet contou com um record de 79 marcas portuguesas em exposição, sendo que corria nos corredores burburinhos afirmativos quanto à qualidade do design made in Portugal. Sim, design. Portugal está a ultrapassar o estigma que o prendia à elevada qualidade mas parca visão estética e, pouco a pouco, as marcas começam a perceber a importância de uma imagem avassaladoramente distinta de tudo o resto que a indústria tem para oferecer.

A isto, junta-se o investimento que fábricas centenárias, que já produziam para etiquetas internacionais, fizeram em marcas próprias, de nicho, de tendência, de aglutinação da tradição à força expansora da inovação. Com elas chegaram máquinas de marketing, estratégias de comunicação e abordagens certeiras a um segmento de luxo que agradece a diversidade e não se coíbe de pagar o que for preciso pela exclusividade – e pelo prestígio.

O design português goza de bom nome lá fora. Lutou por ele. Partiu à conquista, como já o havia feito antes, e plantou em terreno hostil a semente que está agora a dar frutos. A batalha seguinte talvez seja mais difícil: apontar a mira para dentro de portas, mudar hábitos de consumo e desprender das mentalidades a noção do que a importação tem mais valor. Chegou a hora de fazer valer o pregão que se grita a plenos pulmões; chegou a hora de torná-lo lema de vida, mantra, religião. Porque o nacional é mesmo bom

Fonte: Vogue.pt

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