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Uma cidade está em permanente construção e (re) construção, mas isso será um arco-íris ao passado. A cidade começa, cresce, mas não morre; enquanto os cidadãos e as cidadãs forem protagonistas da construção da cidade, Por isso uma cidade é política e exerce a política, como afazeres dos mares sonantes, mas não toma a política como carreira de uma vida. Há muitas formas de construir e de (re) construir a cidade, uma delas exercendo cargos políticos para o bem da cidade. Quem pensa que a cidade é uma construção em movimento mostrando sempre os mesmos cidadãos a exercerem os poderes políticos, está enganado. Porque enganado de ter uma propriedade que é de todos, não existem profissões políticas exercidas em dezenas de anos, desengane-se, o serviço à cidade não é um trabalho prementemente permanente, isso, na cidade, é o exercício da ditadura de uma ideia de quem não sabe, porque não exerce. Quase como as pessoas que por decisão profissional não casam e depois vão dar conselhos aos casados. Uma abstração. Determinado cidadão que exerce, por eleição livre e democrática tem de conhecer a vida, para depois acompanhar a vida nos trabalhos de construção e (re) construção; senão acompanha a vida, ou melhor, se não a exerce, como vai continuar a gerir a coisa pública, se não sabe o que é o contínuo fluxo do caminho para o sustento da cidade? São atos ignóbeis que não sabem gerir, dado que a economia não passa por eles, a vivencia cultural não é a deles, a coesão social não a sente e do ambiente possuem medo.


Vamos para mais umas eleições na cidade, e está bem, é preciso fazer a escolha e avaliação dos trabalhos realizados e decidir por onde queremos ir. Mas tantas vezes isso é difícil, as “caras” são as mesmas e isso desconstrói a cidade. Ninguém ensina, se não aprendeu nas agruras e nas alegrias na vida. O que os decisores políticos da cidade, se forem os mesmos, têm as suas ideias iguais às de muitos anos anteriores; como se num jardim não nascessem milhares de flores distintas, com cores diferentes, e que no seu confronto colorido, dão o animo da amizade na diferença da pluralidade. Se não há pluralidade de governança, não há aprofundamento da participação, todos já sabem o que vão correr, e como correr.

A construção da cidade fica paralisada, só constrói quem sabe construir, quem sabe dinamizar, e se um comando é exercido durante anos sem ciclos, todos percebemos não existir novidade. Isso paralisa a cidade. Mas, também, não são os guetos políticos que dão ânimo à cidade, esses afastam-se para ver “as próximas”, sem um sentimento participativo em todas as etapas que duram quatro anos. Esses guetos políticos não possuem liberdade de pensamento e não conhecem o correr ontológico da cidade. A cidade faz-se pela análise e reflexão dos cidadãos e cidadãs, nos vários tipos do caminho para o bem da cidade. Pela participação ativa em cada eleição, mas mais que isso, em cada decisão, a governança da cidade deverá ser participativa em cada ato que se percorre. Não vale a pena, dizem os cidadãos e as cidadãs, estarem em debates estéreis que só nos tiram as capacidades de ainda acreditar que a cidade vai ser construída e (re) construída.

A cidade do amor é a cidade que se dá aos cidadãos e cidadãs, por quem também já foi cidadão e cidadã, e exerceu o seu direito de viver em cidade. A cidade do amor não é obstrutiva ao diálogo inclusivo de todas as ideias políticas, e culturais, e sociais, e ambientais. A cidade é uma decisão coletiva, de quem ama as pessoas, os costumes, as tradições, a terra e a história. Ora, quem diz “amar” a cidade porque sempre pertenceu ao seu comando, desajusta-se da cidadania, perturba a democracia e ilude a cidade. Torna-se necessário voltar a ser cidadão ou cidadã de corpo inteiro, depois ou antes, de assumir a liderança da cidade; quem não o faz não pode ser cidadão ou cidadã.

E, pronto, como diz o nosso povo: “para bom entendedor, meia palavra basta”!

Joaquim Armindo
Pós-doutorando em Teologia
Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental
Diácono

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