Os “emigrantes” são pessoas que deixam o seu país, ou seja, do sítio de origem para viver em outro, muitas vezes à procura de melhores condições de vida, oportunidades de trabalho ou por motivos familiares. Este fenómeno tem marcado profundamente a história e cultura de muitos povos, dando origem a comunidades espalhadas pelo mundo que mantêm tradições e laços com a terra natal. Já os “imigrantes” são pessoas que chegam a um novo país com o objetivo de aí se estabelecerem, seja temporária ou permanentemente. Muitas vezes, procuram melhores oportunidades ou condições de vida, trazendo consigo diferentes culturas, experiências e perspetivas que enriquecem a sociedade de acolhimento. Por outro lado, o termo “migrantes” refere-se de forma mais ampla a todas as pessoas que se deslocam de um lugar para outro, seja dentro do próprio país ou para outro, independentemente do motivo. Assim, tanto os emigrantes como os imigrantes são considerados migrantes, já que migração engloba qualquer movimento populacional, seja ele interno ou internacional. Os “migrantes”, englobando pessoas de diferentes origens, idades, profissões e histórias de vida, marcado pela troca cultural, pela adaptação a novos ambientes e pela construção de identidades híbridas, resultantes da convivência entre o passado e o presente. Além disso, cada migrante contribui, à sua maneira, para o enriquecimento das sociedades por onde passa, promovendo uma maior compreensão entre povos e culturas. Todas as possíveis definições dadas acima resultam de um consenso académico e institucional.
Daqui se estabelece que os emigrantes, imigrantes e migrantes, são um mesmo. Aliás se definirmos como o nosso “País” o planeta Terra, todas elas são referentes a quem eles pertencem e os conduz a outros planetas, como o contrário se existir vida humana nesses locais. Os animais, que dizemos, não-humanos, não possuem essa questão, dado que para eles não existem fronteiras. Assim, estas fronteiras são as causadoras, não só de guerras, mas de consoantes forjadas nas nossas limitações, onde o espaço ocupa um lugar determinado, que com o tempo pode ir se alterando, como vemos acontecer. O planeta Terra, lar de uma imensa diversidade de culturas, povos e paisagens, é o palco onde ocorrem esses movimentos migratórios. Com cerca de 510 milhões de quilómetros quadrados de superfície, sendo a maior parte coberta por oceanos, a Terra oferece distintos ambientes naturais e sociais que influenciam as escolhas de quem decide migrar. As transformações ambientais, as condições económicas e as dinâmicas políticas de cada região desempenham um papel fundamental nos fluxos migratórios, demonstrando como a relação do ser humano com o seu planeta está em constante evolução.
É importante sublinhar que as diferenças culturais, longe de serem um obstáculo, representam uma verdadeira riqueza para as sociedades. O contacto entre culturas distintas fomenta o diálogo, a aprendizagem mútua e a criatividade, permitindo a construção de comunidades mais inclusivas e inovadoras. Quando valorizamos e respeitamos a diversidade, desenvolvemos uma maior capacidade de empatia e compreensão, contribuindo para uma convivência mais harmoniosa e enriquecedora para todos.
Na tradição bíblica, Abraão é frequentemente citado como um exemplo de hospitalidade, recebeu migrantes na sua tenda. Segundo o relato do livro de Génesis, Abraão acolheu três visitantes, e os tratou com todas as honras. Este gesto de abertura e acolhimento é interpretado como um símbolo de respeito e empatia para com o outro, independentemente da sua origem. Assim, Abraão representa um modelo de convivência que valoriza a diversidade e o encontro entre diferentes culturas.
Deixo aqui as palavras do Papa Francisco: “Como podemos falar de Deus, a partir do sofrimento nascente” e acrescento o destaque que o Papa Leão XIII, no seu ensinamento social, destacou a importância do respeito e da solidariedade para com todos os trabalhadores, incluindo aqueles que se veem obrigados a deixar a sua terra natal em busca de melhores condições, e o Papa Leão XIV, ao referir-se aos migrantes, foi claro que todos têm direito à dignidade humana e ninguém poderá por considerar-se “patriota”, ou ter “o mesmo sangue” e pensar em devolver migrantes. São leis naturais que estão em causa, superiores às leis que possamos fazer.
Quão enganados estão tantos portugueses, não se lembrando daqueles que em tempo, e hoje ainda, migram esperando melhores condições.
Joaquim Armindo – Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental


