A Inspeção-Geral da Educação e Ciência deu início a um processo de averiguações para esclarecer as circunstâncias em que um aluno da Escola de Fonte Coberta, em Cinfães, distrito de Viseu, perdeu as pontas de dois dedos na sequência de um incidente ocorrido na segunda-feira, 11 de novembro. O Ministério da Educação confirmou a abertura do processo, a pedido do diretor-geral da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.
De acordo com declarações à Lusa, também o Agrupamento de Escolas de Souselo, ao qual pertence o estabelecimento de ensino, instaurou um inquérito interno. Carlos Silveira, diretor do agrupamento, escusou-se a prestar mais esclarecimentos, sublinhando que os procedimentos adequados foram seguidos e que os meios de socorro foram prontamente chamados.
A mãe da criança, Nivia Estevam, denunciou o caso através da rede social Instagram, relatando que o seu filho de nove anos teve as pontas dos dedos amputadas após duas crianças lhe terem fechado uma porta nas mãos quando este se encontrava na casa de banho. A progenitora acusa a escola de inação, afirmando que já tinha feito queixas anteriores sobre agressões físicas sem que tivessem sido tomadas medidas.
Segundo o seu testemunho, o filho ficou retido sem conseguir pedir ajuda, perdeu muito sangue e teve de se arrastar por baixo da porta já com os dedos amputados. A mãe criticou ainda a escola por não ter contactado a PSP, embora a zona seja apenas servida pela GNR — e por, alegadamente, ter limpo o local antes da chegada dos pais, o que poderá comprometer elementos de prova.
A criança foi transportada para o Hospital de São João, no Porto, onde foi submetida a uma cirurgia de três horas. De acordo com a mãe, o menino ficará com sequelas físicas e psicológicas.
O apelo público da mãe levou um grupo de 15 advogados a disponibilizar-se voluntariamente para acompanhar o caso. Em declarações à Lusa, a advogada Catarina Zuccaro afirmou que será apresentada uma queixa ao Ministério Público e que os juristas irão tratar dos processos administrativo, cível e eventualmente criminal, apesar de os menores envolvidos não serem imputáveis penalmente.


