Os autocarros da rede Unir, que servem a Área Metropolitana do Porto, continuam sem um sistema de fiscalização de passageiros, sendo o único controlo dos títulos de transporte efetuado pelos motoristas.
Os autocarros da rede Unir, em operação desde dezembro de 2023 em toda a Área Metropolitana do Porto, continuam sem fiscalização aos passageiros, não existindo equipas dedicadas ao controlo de bilhetes a bordo. A situação faz com que, na prática, seja possível viajar sem título válido, desde que o passageiro consiga passar despercebido ao motorista.
De acordo com o Jornal de Notícias, a origem deste problema remonta ao próprio processo de criação da Unir. O concurso lançado pela Área Metropolitana do Porto em 2019 não previa a existência de um serviço de fiscalização nos autocarros operados pelos diferentes concessionários da rede.
Em declarações ao JN, Marco Martins, presidente da Transportes Metropolitanos do Porto, entidade que assumiu a tutela da Unir no início de 2025, explicou que o plano de atividades da empresa para 2026 previa já a criação de um serviço de fiscalização de passageiros. O responsável adiantou ainda que estava em estudo um projeto para concentrar toda a fiscalização da TMP numa estrutura única, à semelhança do modelo existente em Lisboa, em vez de cada operador assegurar o controlo de forma autónoma.
Segundo Marco Martins, a lógica subjacente a este modelo passa pelo facto de a infração estar associada à ausência de um título Andante válido, o que justificaria que a fiscalização fosse assumida pela autoridade de transportes e não pelos operadores. Ainda assim, sublinhou que este seria um projeto de médio prazo, sendo prioritário implementar, num primeiro momento, fiscalização efetiva na rede Unir.
Atualmente, a responsabilidade pelo controlo dos bilhetes recai apenas sobre os motoristas, uma solução considerada pouco eficaz. Apesar de os operadores terem interesse na validação dos títulos, uma vez que recebem 25 por cento da receita da bilhética, a fiscalização feita pelos condutores não substitui a presença de equipas dedicadas a circular nos autocarros.


