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O Banco de Portugal (BdP) lançou um comunicado no dia 29 de março a alertar para “esquemas fraudulentos” de concessão de crédito fácil através das redes sociais, especialmente através do Facebook.

O Banco de Portugal (BdP) alertou para os anúncios falsos de concessão de crédito fácil nas redes sociais. No comunicado, pode ler-se que estes esquemas são muitas vezes criados com “o nome e a imagem de instituições financeiras autorizadas ou de pessoas singulares reconhecidas publicamente, credíveis, para gerar confiança nos potenciais clientes”. O aviso foi feito no dia 29 de março e reporta casos em que, para as pessoas receberem o montante solicitado, têm de pagar adiantado, sendo que nunca voltam a reaver esse dinheiro.

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“Normalmente, estas entidades afirmam conceder empréstimos, rapidamente, sem formalidades complexas, sem a prestação de garantias, com discrição e a todas as pessoas, mesmo àquelas que não conseguem obter crédito junto do sistema financeiro”, revelou o regulador. O BdP “tem tomado conhecimento de diversas situações em que pessoas coletivas ou singulares propõem ao público, através das redes sociais, em especial do Facebook, a suposta concessão de empréstimos”.

Neste tipo de fraude, é feita uma comunicação para obter mais informações através do Messenger, Whatsapp ou por telemóvel. De acordo com o BdP, se for contactado por um número cujo indicativo seja estrangeiro, esse pode ser um sinal de alerta. Além disso, são ainda pedidas informações pessoais (como o nome completo, morada e número de identificação fiscal) e cópias de alguns documentos (como o cartão de cidadão, recibos de vencimento, entre outros).

Após fornecerem os termos do crédito em forma de texto ou contratos forjados, são solicitados adiantamentos com falsas justificações. Muitas vezes são dadas razões como o “pagamento de seguro”, a “quantia necessária para libertação do crédito”, a “taxa de transferência internacional” ou o “pagamento de impostos”. É a partir daí que os clientes se veem envolvidos nestes esquemas, já que seguem com o pagamento destas quantias que nunca serão devolvidas e, por vezes, são feitos sucessivos pedidos de fundos para desbloqueio do capital.

“Os clientes nunca recebem os montantes de empréstimo solicitados. Estas propostas de empréstimo configuram esquemas fraudulentos que visam a obtenção de um benefício ilegítimo por entidades não autorizadas a conceder empréstimos, as quais, de uma forma ardilosa, se aproveitam da situação de especial necessidade das pessoas”, refere o alerta.

A recomendação do regulador é sempre  pedir crédito junto dos bancos e intermediários de crédito vinculados autorizados pelo BdP a exercer atividade financeira e, portanto, a concederem empréstimos. Por isso, antes de ser pedido qualquer crédito através da internet, os clientes devem identificar previamente a entidade em questão na lista das instituições registadas. Apenas se isso for verificado é que é totalmente legal e seguro avançar com esse pedido. Em caso de dúvida, as pessoas devem contactar diretamente o BdP através do formulário disponível no site oficial ou enviando um e-mail para [email protected]. De forma regular, o BdP publica avisos sobre entidades não habilitadas a exercer atividade financeira à medida que as vai a identificar.

Cibercrime aumentou com a pandemia

Para além das promessas fraudulentas de crédito fácil, os crimes feitos através da internet têm sido cada vez maiores. Em fevereiro de 2021, Isabel Oneto explicou que o cibercrime havia subido com a pandemia, entre eles o de ‘phishing’, ou seja, de recolha ilícita de elementos pessoais e financeiros.

A copresidente do Grupo de Controlo Parlamentar Conjunto sobre a Europol disse que a crise económica e social resultante do impacto da pandemia de Covid-19 é uma “oportunidade” para o crime organizado, já que as pessoas passam mais tempo em casa e recorrem à internet para as suas necessidades.  “O hábito de fazer compras ‘online’, o recurso à internet, o teletrabalho, enfim… [tudo] veio para ficar. As pessoas não vão desacelerar a utilização da internet após Covid-19, pelos hábitos que adquiriram. Há aqui um campo também para as organizações criminosas, a que é preciso estar atento, resultante precisamente de um maior recurso à internet por parte dos cidadãos”, explicou em fevereiro à Lusa.

Também o Gabinete de Cibercrime se pronunciou quanto ao assunto. Foi emitido um alerta a 25 de março sobre roubos de dados de cartões de crédito através de correio eletrónico ou SMS. Estas comunicações utilizam marcas conhecidas pelos portugueses, como é o caso da Autoridade Tributária, dos CTT e da EDP para obterem ilegitimamente a informação dos cartões de crédito das vítimas.

O aviso mencionou que o teor das mensagens de correio eletrónico é variado e incluem logótipos das marcas institucionais das entidades pelas quais se fazem passar. Nesses e-mails, podem ser referidas promessas de reembolsos falsos onde estão agregados links para se proceder à respetiva transferência. É então dentro dessas páginas na Internet que é solicitado que o destinatário preencha com os seus dados pessoais.

“Nenhum destes sites é gerido pelas entidades referidas nas mensagens fraudulentas, nem por elas são autorizados. Todas eles correspondem a páginas web falsas”, avisa o gabinete. O comunicado ainda aconselha as pessoas que sejam vítimas de um esquema semelhante a cancelarem os seus cartões de crédito.

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