A administradora de insolvência e a comissão de credores apresentaram ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia um pedido para o encerramento do Boavista Futebol Clube, alegando prejuízos continuados e acumulação de dívida.
O Boavista Futebol Clube poderá encerrar portas, caso avance o pedido apresentado pela administradora de insolvência e pela comissão de credores ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia. A decisão surge após o clube ter desistido de competir na última divisão distrital da Associação de Futebol do Porto, alegadamente por estar a gerar prejuízos para a massa insolvente, com dívidas em crescimento.
A liquidação da instituição já tinha sido aprovada em setembro, quando os credores rejeitaram adiar por 30 dias a votação do plano de recuperação apresentado pela atual direção, liderada por Rui Garrido Pereira. Apesar de recorrerem da decisão, os responsáveis do clube asseguram que continuarão a tomar “todas as medidas ao seu alcance para garantir o funcionamento regular do clube”, segundo comunicado oficial.
Segundo o Jornal de Notícias, a direção considera que o eventual encerramento teria consequências gravosas, não apenas para o clube, mas também para a comunidade, nomeadamente os cerca de dois mil jovens atletas que praticam desporto nas suas instalações. Reforça ainda que “o modelo de gestão aplicado à liquidação de sociedades comerciais não se pode aplicar diretamente a clubes desportivos”.
O Boavista, que perdeu a equipa sénior masculina no verão e se inscreveu no quarto escalão distrital sem chegar a disputar qualquer partida, vê-se ainda impedido de inscrever novos atletas devido a seis restrições impostas pela FIFA à SAD. A sociedade, liderada pelo senegalês Fary Faye, tem recorrido a jogadores dos sub-19 para manter atividade mínima, enquanto procura resolver os bloqueios com a FIFA, alguns dos quais com duração ilimitada.
O clube detém apenas 10% do capital social da SAD, atualmente responsável pela gestão do Estádio do Bessa. A direção pediu ao tribunal que determine o cumprimento do protocolo existente entre as duas entidades ou, em alternativa, a libertação das instalações do clube, atualmente ocupadas pela SAD.
Em resposta, ainda de acordo com o Jornal de Notícias, a SAD lamentou “os ataques sucessivos” por parte da direção, acusando-a de fomentar um “clima de hostilidade” e de utilizar a sociedade como “bode expiatório” para os problemas do clube. Sublinhando que trabalha diariamente para garantir o futuro do Boavista com “rigor e responsabilidade”, a SAD afirma que muitos adeptos “não se deixam manipular por cortinas de desinformação”.


