A V Edição da Exposição de Camélias da Cidade da Maia foi inaugurada este sábado, 28 de março, na Escola Príncipe da Beira, em Gueifães, numa organização da Freguesia da Cidade da Maia e da Associação Portuguesa das Camélias. O certame, com entrada gratuita, prolonga-se até domingo e volta a colocar no centro da atenção uma flor profundamente ligada à história e ao património local.
A exposição de camélias regressou este sábado à Escola Príncipe da Beira, em Gueifães, para a sua quinta edição, confirmando a continuidade de um certame que, ao longo dos últimos anos, se foi afirmando como um dos momentos de maior visibilidade para esta flor na Maia. A iniciativa, promovida pela Freguesia da Cidade da Maia em parceria com a Associação Portuguesa das Camélias, decorre também este domingo, mantendo entrada gratuita.
O evento parte de uma realidade muito concreta do território, já que na freguesia existem vários produtores de camélias e alguns exemplares de especial valor, incluindo cameleiras da Quinta da Boa Vista, no parque de Lazer da Fundação Gramaxo, que se estima terem mais de 200 anos. Esse património ajuda a explicar porque é que a exposição se tem vindo a consolidar como uma montra da identidade botânica local.
A Escola Príncipe da Beira não é um palco escolhido ao acaso. A própria rota das camélias promovida em Maia destaca o espaço como ponto de interesse, associando-o quer à camélia Príncipe da Beira, quer ao trabalho de divulgação, preservação e valorização destas flores enquanto património biológico e cultural.
Entre os nomes que ganharam relevo nas edições anteriores está a Camélia Angelina Vieira, uma variedade portuguesa que se tornou símbolo local. De acordo com o Parque Biológico de Gaia, trata-se de uma camellia japonica apresentada por Alfredo Moreira da Silva em 1975. Angelina Vieira era esposa do Dr. Germano de Sousa Vieira, natural de Silva Escura, na Maia, e um dos exemplares desta variedade, que lhe foi dedicada, chegou a ser premiado numa exposição na cidade do Porto.
Já em edições anteriores da exposição, a Junta de Freguesia da Cidade da Maia apresentava a Angelina Vieira como um “orgulho local”, desenvolvido pelo maiato Germano Vieira. Já em 2025, o jornal Notícias Maia voltou a identificar esta variedade como um dos destaques do certame, descrevendo-a como uma camélia de tonalidade roxa singular e sublinhando a carga afetiva e botânica associada à sua criação.
O percurso recente da mostra ajuda também a perceber o seu crescimento. Em 2023 realizou-se a segunda edição, em 2024 a terceira e, em 2025, a quarta, sempre em torno do mesmo objetivo, que é promover as camélias da Maia, divulgar o património associado a esta flor e aproximar o público de produtores, colecionadores e variedades históricas. Nas edições anteriores, o certame incluiu ainda expositores de várias regiões e concursos dedicados à melhor camélia, ao melhor arranjo floral e à camélia mais original.
A edição deste ano pode ser visitada este sábado entre as 14h30 e as 18h00 e no domingo entre as 10h00 e as 18h00. A aposta mantém a mesma linha das edições anteriores. Valorizar uma flor que, na Maia, não é apenas ornamental, mas também parte de uma paisagem histórica, de um saber cultivado ao longo do tempo e de uma marca identitária que o concelho continua a preservar.


