A iniciativa Novembro Azul pretende sensibilizar para um problema que continua a ter forte impacto em Portugal, onde o cancro da próstata representa milhares de novos casos anuais e cerca de 2000 mortes por ano, muitas delas decorrentes de diagnóstico tardio.
No âmbito da campanha Novembro Azul, foi lançado um alterara para os sinais que muitos homens continuam a desvalorizar, mas que podem indicar a presença de cancro da próstata. A iniciativa visa aumentar a consciência sobre uma doença que continua a ser a neoplasia mais diagnosticada entre os homens em Portugal, com mais de sete mil novos casos por ano e cerca de duas mil mortes.
Segundo o médico José Sanches Magalhães, fundador do Instituto de Terapia Focal da Próstata, entre os sintomas que não devem ser ignorados estão o aumento da frequência urinária, dificuldades em iniciar a micção, fluxo urinário fraco, dor ao urinar, sensação de bexiga não totalmente esvaziada, sangue na urina ou no sémen, e dores persistentes na zona lombar, nas coxas ou nos quadris. Em comunicado, o especialista em urologia alerta que estes sinais não devem ser atribuídos apenas ao envelhecimento. “Quando persistentes, justificam avaliação médica, pois o diagnóstico precoce continua a ser determinante no sucesso do tratamento.”
Segundo o mesmo, a eficácia do rastreio precoce volta a ser confirmada pelos resultados do maior estudo europeu na área, o ERSPC (European Randomized Study of Screening for Prostate Cancer), agora com 23 anos de seguimento. Realizado em oito países, este estudo acompanhou mais de 160 mil homens entre os 55 e os 69 anos, concluindo que o rastreio com PSA reduz a mortalidade em 13% e evita uma morte por cada 456 homens rastreados. Entre os diagnosticados, é evitada uma morte por cada doze homens com cancro detetado.
Em Portugal, os números mais recentes do Global Cancer Observatory indicam que, em 2022, o cancro da próstata representou 19,9% de todos os diagnósticos oncológicos em homens. Segundo dados da OCDE e da Comissão Europeia, a incidência é de cerca de 140 novos casos por 100 mil homens, valor próximo da média europeia, e a taxa de mortalidade padronizada ronda os 11,1 óbitos por 100 mil.
Ainda de acordo com o médico, a idade é o principal fator de risco, com maior incidência após os 65 anos, mas a doença pode surgir mais cedo. O risco é particularmente elevado em casos com histórico familiar de cancro da próstata, da mama ou do ovário, sobretudo quando há presença de mutações genéticas como a BRCA2. Fatores como etnia afrodescendente, obesidade, inflamação crónica e alimentação inadequada também devem ser considerados.
De acordo com o Dr. Sanches Magalhães, a vigilância deve começar aos 50 anos em homens sem fatores de risco ou aos 40 quando existe histórico familiar. O teste PSA permite estabelecer um valor de referência que pode ser monitorizado ao longo do tempo. Em caso de elevação persistente, a realização de uma ressonância magnética pode detetar lesões suspeitas antes de se recorrer à biópsia.
Nos últimos anos, os avanços na imagem médica e nas terapias minimamente invasivas vieram permitir intervenções mais precisas e menos agressivas. Uma dessas técnicas é a electroporação irreversível, tecnologia pioneira em Portugal neste centro, que permite tratar apenas a zona afetada do órgão, preservando a função urinária e sexual do doente.
Neste Novembro Azul, a mensagem é clara. Reconhecer os sinais, procurar ajuda médica e apostar na vigilância são passos essenciais para salvar vidas. A deteção precoce continua a ser a arma mais eficaz contra o cancro da próstata.


