A VASP alertou que poderá suspender a distribuição diária de jornais e revistas em oito distritos do Interior já a partir de 2 de janeiro de 2026, devido a dificuldades financeiras. A medida colocaria em causa o acesso regular à Imprensa em regiões inteiras do país.
A possibilidade de suspensão da entrega de jornais pela VASP em oito distritos do Interior, já no início de 2026, foi anunciada esta quinta-feira pela própria empresa, que justifica a decisão com a quebra continuada das vendas em banca e o aumento dos custos operacionais. A partir de 2 de janeiro, podem ficar sem distribuição regular os distritos de Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança.
A VASP indicou que estuda a possibilidade de interromper a distribuição diária nestas oito regiões devido à insustentabilidade económica das atuais rotas. A empresa refere que a diminuição da procura e os custos acrescidos tornaram o modelo deficitário, colocando em risco a continuidade do serviço em partes significativas do território nacional.
O alerta surge um ano depois de o Governo ter assinado, em 2024, um protocolo com a empresa para garantir distribuição em concelhos onde já existiam desertos de Imprensa, como Vimioso, Freixo de Espada à Cinta, Marvão e Alcoutim.
A situação desencadeou reações imediatas de entidades do setor. A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) classificou como “grave” a eventual redução das áreas de distribuição e indicou estar a recolher informação adicional sobre o impacto do anúncio. O regulador recordou também a forte dependência dos órgãos de comunicação social face à VASP e o descontentamento já manifestado por alguns editores relativamente ao aumento dos preços praticados.
A Associação Portuguesa de Imprensa (API) manifestou igualmente “profunda preocupação” com o possível corte, afirmando que este comprometeria o direito constitucional de acesso à informação e colocaria em causa um dos pilares essenciais da democracia. A API reforça o apelo a uma intervenção urgente que garanta a continuidade da distribuição em todo o território nacional.
O Governo, através do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, já reagiu, sublinhando que qualquer solução de apoio público ao setor só poderá avançar através de mecanismos concorrenciais e nunca por financiamento direto a uma empresa específica.
Em outubro, dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística confirmaram que, ao longo de 2024, foram vendidos apenas 76,3 milhões de jornais em formato papel em Portugal, um volume inferior a metade do registado em 2019, evidenciando o colapso que o setor enfrenta.


