A proprietária de um lar na Maia, acusada de maus-tratos a três idosas de 80, 91 e 92 anos, recusou prestar declarações no Tribunal de Matosinhos, onde responde por quatro crimes, dois deles contra a mesma vítima.
A dona de um lar na Maia, de 62 anos, acusada de maltratar três idosas entre 2023 e 2024, optou por não prestar declarações na primeira sessão do julgamento, que decorre no Tribunal de Matosinhos. A arguida está pronunciada por quatro crimes de maus-tratos, sendo que dois dizem respeito à mesma idosa.
Segundo a acusação do Ministério Público, citada pelo Observador, a proprietária terá agredido com bofetadas na cara três utentes debilitadas e dependentes, com idades de 80, 91 e 92 anos. As vítimas, que pagavam entre 1.100 e 1.200 euros mensais, apresentaram hematomas no rosto, sobretudo na zona do nariz, lábios e queixo.
O Ministério Público sustenta ainda que o lar, em funcionamento desde 2020, não dispunha de licença para exercer atividade. Na acusação é referido que a arguida terá atuado com intenção de infligir maus-tratos físicos e psíquicos a pessoas especialmente indefesas, violando o dever de cuidado que lhe competia.
Durante a audiência, de acordo com o Correio da Manhã, uma antiga funcionária do lar afirmou que a proprietária gritava frequentemente com as idosas, insultava-as e agredia-as com bofetadas. Referiu também situações de alegada falta de higiene, ausência de gel de banho e escassez de fraldas, relatando que alguns utentes permaneciam toda a noite com a mesma fralda. A testemunha declarou ainda que terá registado fotografias e áudios para denunciar a situação às autoridades.
Uma militar da GNR explicou que a investigação teve origem numa denúncia anónima, que mencionava feridas nos idosos, refeições desadequadas, falta de higiene e tratamento agressivo. Segundo a guarda, já durante o período da pandemia tinham sido realizadas diligências no local por suspeitas semelhantes.
O julgamento prossegue no Tribunal de Matosinhos.


