“Justa”, a nova longa-metragem de Teresa Villaverde, estreia esta quinta-feira e centra-se na vida de sobreviventes dos incêndios de Pedrógão Grande, que em 2017 provocaram mais de 60 mortos e 253 feridos. A realizadora regressa às salas com um filme que parte de um trabalho de pesquisa direta junto de famílias que perderam parentes e casas, procurando compreender como reconstruíram o quotidiano após a tragédia.
A realizadora explicou à Renascença que percorreu Pedrógão Grande um ano depois dos fogos, quando as estradas permaneciam marcadas pela cinza. Sem câmara ou gravador, recolheu testemunhos com o apoio da Associação das Vítimas de Pedrógão Grande, encontrando portas abertas e relatos sobre perdas que, diz, continuam pouco discutidos no espaço público.
A longa-metragem conta com a participação de Betty Faria, de 84 anos, que interpreta uma mulher que perdeu o marido e a visão nos incêndios. Teresa Villaverde destacou que a atriz brasileira se integrou no elenco sem reservas, trabalhando lado a lado com atores não profissionais e ajudando a equilibrar o conjunto. Entre os restantes intérpretes estão Madalena Cunha, Ricardo Vidal, Filomena Cautela, Alexandre Batista, Anabela Moreira, Robinson Stévenin, Francisco Nascimento e João Pedro Vaz.
No centro da narrativa está também uma criança, Justa, que perdeu a mãe e vive com o pai, marcado fisicamente pelo calor das chamas. Para a realizadora, esta personagem simboliza o olhar duro das gerações mais novas, que procuram respostas e responsabilização pelos acontecimentos de 2017. O filme acompanha ainda a história de um jovem que perdeu toda a família e vive em isolamento, mostrando a fragilidade emocional e as redes de apoio que se formaram entre sobreviventes.
Já em 2022, um documentário sobre Pedrógão produzido por Leonardo DiCaprio foi exibido em salas portuguesas
Em novembro de 2022, o documentário “From Devil’s Breath” esteve em exibição nos cinemas portugueses com uma missão clara: preservar a memória dos incêndios de Pedrógão Grande e dar palco às vozes de quem resistiu à tragédia. A curta-metragem de 40 minutos, realizada por Orlando Von Einsiedel e produzida pelo ator norte-americano Leonardo DiCaprio, foi exibida em Lisboa, Loulé, Viseu, Funchal, Aveiro, Braga, Matosinhos e Coimbra, num total de 24 sessões promovidas pela Cinemas NOS.
O filme reconstruiu os eventos do verão de 2017, que tiraram a vida a 66 pessoas, através dos testemunhos de Nádia Piazza, antiga presidente da Associação das Vítimas, do bombeiro Sérgio Lourenço, de Vítor Neves, ferido com gravidade, e de Sofia Carmo, envolvida em projetos de reflorestação na zona. As histórias humanas foram cruzadas com a perspetiva científica do ecologista britânico Thomas Crowther, que propôs soluções sustentáveis para a recuperação de ecossistemas pós-incêndio.
A exibição em Portugal teve também uma componente solidária. Os bilhetes tiveram um valor simbólico de cinco euros e parte da receita foi doada a um projeto de reflorestação selecionado pela Casa do Impacto, iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Segundo a Cinemas NOS, a estreia em Lisboa incluiu um debate sobre alterações climáticas, com a participação do deputado Miguel Costa Matos (PS), da coprodutora Catarina Fernandes Martins, de Sofia Carmo e com moderação de Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto.
“From Devil’s Breath” foi apresentado em festivais internacionais como Palm Springs (EUA) e na COP26. A produção integrou a série documental “Tipping Point”, da Time Studios e do apresentador Trevor Noah. Orlando Von Einsiedel venceu um Óscar em 2017 com a curta documental “Os Capacetes Brancos”.


