A construtora Lúcio da Silva Azevedo & Filhos, conhecida como Lucios, entrou em insolvência com dívidas superiores a 51 milhões de euros a mais de 1200 credores, encerrando atividade e deixando 68 trabalhadores no desemprego.
A construtora Lúcio da Silva Azevedo & Filhos, que operava sob a designação Lucios, declarou insolvência com um passivo de cerca de 51 milhões de euros e encerrou definitivamente a atividade, situação que resultou no despedimento de 68 trabalhadores. A empresa tem sede em Vila do Conde e acumulava dívidas a 1223 credores.
De acordo com informação avançada pelo Jornal de Negócios, a Lucios terminou 2019 com cerca de 280 colaboradores e uma faturação próxima dos 80 milhões de euros. No entanto, a partir de 2020, as receitas registaram uma quebra acentuada, descendo para 11,7 milhões de euros nesse ano e para 8,7 milhões em 2024. Nesse período, a empresa acumulou prejuízos estimados em cerca de 25 milhões de euros.
A mesma publicação refere que a construtora tentou recuperar financeiramente através de dois Processos Especiais de Revitalização, em 2021 e no final de 2024. Contudo, ambos os planos acabaram por ser rejeitados pelos credores, inviabilizando a continuidade da atividade. Já em fase de insolvência, foi ainda apresentada uma proposta de aquisição no valor de dois milhões de euros, que incluía a assunção de dívidas às Finanças, à Segurança Social e créditos salariais, mas que também acabou chumbada.
Já de acordo com o Jornal de Notícias, o Estado surge como o maior credor da empresa, com um valor global próximo dos 10,7 milhões de euros, repartido entre a Caixa Geral de Depósitos, a Segurança Social e impostos em atraso. Entre os principais credores encontram-se ainda instituições bancárias como a CGD e o Santander. Os ativos da empresa estão avaliados em cerca de três milhões de euros, valor insuficiente para cobrir o total do passivo, o que conduz à liquidação da sociedade.
A Lucios esteve envolvida em várias obras de referência nos últimos anos, nomeadamente a reabilitação do Pavilhão Rosa Mota, atualmente Super Bock Arena, e do Mercado do Bolhão, no Porto, bem como na construção de uma residência de estudantes no Avepark, em Guimarães, obra que acabou por ser abandonada devido a dificuldades de financiamento.
A construtora era gerida pela terceira geração da família Azevedo e integrava o grupo Azevedo’s. O encerramento marca o fim de uma empresa com mais de 70 anos de atividade no setor da construção.


