Na sequência da realização do III Congresso do movimento Reconquista nas suas instalações, o Maia Sport divulgou um comunicado onde justifica a cedência do pavilhão com base na legalidade do evento, criticando as reações que diz ter recebido e anunciando que deixará de acolher eventos de cariz político.
O Maia Sport, clube e entidade gestora do complexo onde teve lugar o III Congresso do movimento Reconquista, publicou este domingo, 9 de novembro, um comunicado nas suas redes sociais em resposta à polémica gerada pela realização do evento nas suas instalações no sábado anterior. A organização do evento que decorreu na freguesia de Moreira, marcada pela presença de figuras da direita radical, suscitou protestos de diversos setores.
Na nota, o Maia Sport começa por assumir “inteira responsabilidade” por todas as actividades que decorrem no seu espaço, sublinhando que colabora também com “eventos corporativos” e que, neste caso, se tratou do primeiro evento promovido por um movimento político. O clube defende que a autorização da utilização do pavilhão se baseou “na legalidade que os promotores possuam” e não nas convicções políticas da entidade gestora.
O comunicado denuncia ainda uma “onda de insultos e ameaças”, que atribui a “pessoas que se dizem democráticas”, e assegura que a liberdade de expressão deve aplicar-se “a todos os movimentos políticos ou ideológicos desde que sejam legais”.
Apesar de afirmar que “tudo decorreu dentro da normalidade” no evento, o MaiaSport justifica a decisão de não voltar a permitir eventos políticos como forma de “proteger todas as instituições do concelho” do “alarido social” que este tipo de acontecimentos pode gerar.
A direção do clube lamenta que, ao fazê-lo, esteja a “dar uma vitória a quem não sabe viver em sociedade”, mas sustenta que está a agir em nome da estabilidade e respeito pelas instituições locais.
O evento em causa foi o III Congresso do Reconquista, um movimento político fundado em 2023, que se apresenta como apartidário, mas reivindica uma agenda nacionalista e anti-imigração. Na sua comunicação pública, o movimento defende a “preservação da identidade etno-cultural portugueza” (grafia própria do grupo) e a promoção de uma “nova elite” patriótica.
Entre os oradores do congresso estiveram figuras conhecidas da alt-right europeia e norte-americana, como Jared Taylor, Steve Laws, Keith Woods e uma representante da ala jovem do partido alemão AfD, além de António Sousa Lara, ex-secretário de Estado da Cultura.
O evento decorreu no mesmo fim de semana em que o grupo Blood & Honour realizou um festival também na Maia.
Festival neonazi e congresso supremacista realizam-se na Maia no mesmo fim de semana



3 comentários
Não se consegue compreender como é que a comunicação social se presta a isto. É crime albergar organizações fascistas. A Reconquista é um grupo neonazi não é apartidário. Liberdade de esxpressão tem limites e esses limites estão na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não é mjuito difícil perceber porque é que o racismo, a xenofobia e a misóginia não são “liberdade”, são um atentado aos direitos humanos. A comunicação social tornou-se um lodaçal e vai levar este país ao fundo.
É isso é. Esses malvados da Comunicação Social é que têm a culpa.
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