A expressão “neste país” é frequentemente utilizada em discursos ou textos para se referir ao local onde aquele que fala ou escreve se encontra, sem nomear explicitamente o país em questão. Essa escolha linguística pode transmitir uma certa distância ou crítica em relação à realidade local, muitas vezes destacando problemas, características ou situações específicas vividas ali. Em contextos jornalísticos e de opinião, o uso de “neste país” pode assumir um tom irónico ou até pejorativo, sugerindo insatisfação com a situação presente. Por outro lado, a expressão “deste país” tende a ser utilizada quando o locutor pretende assumir uma ligação mais direta com o país, reconhecendo-se como parte integrante dele. Ao optar por “deste país”, o falante demonstra “pertença” e, muitas vezes, um compromisso pessoal com as questões abordadas, o que pode suavizar o tom crítico e aproximar o discurso do leitor ou ouvinte. Já a expressão “no meu país” carrega uma dimensão ainda mais pessoal, na medida em que o falante se coloca explicitamente como pertencente ao país referido. Ao utilizá-la, enfatiza-se a experiência individual, aproximando o discurso do testemunho ou da vivência própria, o que pode transmitir maior empatia ou autenticidade. O uso de “no meu país” reforça o envolvimento subjetivo e a responsabilidade pessoal face às questões nacionais, criando uma ligação direta entre a pessoa e o contexto abordado. A escolha entre “no meu país” e “neste país” depende da intenção comunicativa e da relação que deseja estabelecer com o leitor ou ouvinte. Se pretende transmitir uma perspetiva pessoal e de envolvimento direto com a realidade nacional, “no meu país” é a expressão mais apropriada, pois enfatiza o testemunho individual e a ligação afetiva ao país. Por outro lado, se o objetivo for adotar uma postura mais distanciada, crítica ou até irónica relativamente ao contexto nacional, “neste país” é frequentemente utilizada, sobretudo em discursos e na de opinião. Portanto, a escolha deve considerar o tom que pretende conferir ao seu discurso: mais pessoal e empático (“no meu país”) ou mais distante e analítico (“neste país”).
Gramaticalmente, “neste” é a contração da preposição “em” com o pronome demonstrativo “este”. Ou seja, “neste” significa “em este” e é utilizado para indicar algo que está próximo do falante, tanto no espaço como no tempo. Em português, este tipo de contração é comum e serve para facilitar a fluidez do discurso, tornando a linguagem mais natural e económica. Mas “meu” é um pronome possessivo da primeira pessoa do singular. Ele indica posse ou pertencimento, sendo utilizado para mostrar que algo pertence ao pessoal. Por exemplo, em “no meu país”, “meu” refere-se ao país da própria pessoa, reforçando a ideia de ligação pessoal e propriedade em relação ao substantivo que acompanha.
No meu “país” tenho observado, nomeadamente nas “discussões políticas”, o uso frequente de “neste país” ou “deste país”, serão pessoas, que conjuntamente, com forjadas capacidades que ininterruptamente dizem bazófias, como “conversas da treta”, “amam este país”, “primeiro os portugueses”, “três Salazares” ou outras tantas e malcriadas larachas não conseguem saber que “este país” é Portugal.
Ao optar por “neste país” ou “deste país”, recusam falar do seu país, e nem saber que o mal dos outros países no meu País, Portugal, cai, em vez de nomear explicitamente Portugal, as pessoas, que assim falam imprimem um tom crítico e distanciado, contribuindo para a deformação do discurso ao sugerir uma realidade genérica e impessoal. Assim, a linguagem deformante atua como uma estratégia discursiva que pode tanto questionar como reforçar estereótipos, dependendo da intenção do falante e do contexto em que é utilizada.
Neste Natal de 2025 e no Ano Bom de 2026, nunca nos esqueçamos de dizer: no meu País.
Joaquim Armindo, Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental


