O mês de julho não será como estamos habituados. A folia das Festas da Nossa Senhora do Bom Despacho não poderá acontecer este ano e as ruas da Maia estarão mesmo despidas de divertimentos e feirantes.

Nuno Raposo, presidente da Comissão de Festas há 3 anos, falou-nos sobre o futuro da festa e a possibilidade de realizar alguns dos apontamentos religiosos.

DS Crédito

Notícias Maia (NM): A edição de 2020 das Festas da Maia foi cancelada pela Câmara Municipal da Maia. Qual é a perspetiva da Comissão de Festas?

Nuno Raposo (NR): Tirando a procissão, que não pode ser feita, nós vamos tentar fazer tudo o resto da parte religiosa. Vamos tentar abrir a capela e a igreja pelo menos no fim-de-semana e no feriado de segunda-feira, de modo a que as pessoas vejam um bocadinho mais e vivam a solenidade da festividade de Nossa Senhora do Bom Despacho.

NM: Já equacionaram algum plano de forma a realizar essa parte da festividade em segurança?

NR: Estamos a pensar fazer na mesma a missa campal, tendo o cuidado e cumprindo sempre tudo o que diz respeito às indicações da Direção-Geral da Saúde. Nomeadamente o espaçamento das pessoas. Esta missa é feita no adro do santuário, que na altura estará mais liberto, uma vez que não estão lá os coretos. Temos um espaço mais amplo que vai permitir, se calhar, que as pessoas estejam sentadas de forma mais distante e, naturalmente, de máscara.

NM: Já houve algum ano em que não tivesse ocorrido a romaria?

NR: Nos últimos 15 anos não me lembro. Não sei se em algum período de guerra não aconteceu, mas só procurando na história.

NM: O que significa não haver festejos ao nível financeiro?

NR: Para a Comissão de Festas não é muito relevante porque nós trabalhamos com orçamento camarário e com orçamentos particulares. Normalmente o nosso orçamento é para fazer face às despesas logo, não tendo despesas, não temos receitas e não tendo receitas, não temos despesas. Claro que para os feirantes, os músicos, e as pessoas que organizavam outras festividades e a quem nós pagávamos, é mais complicado.

NM: De que forma este cancelamento afetará a Romaria nos seguintes anos?

NR: Eu espero que este tenha sido um ano único. Único no seu mau sentido e que não se repita. Mas, caso assim seja e caso não tenhamos de nos preocupar com o contágio deste vírus para o ano, penso que teremos tudo para viver a festa com outras possibilidades. Espero que ainda este ano, em outubro, na Festa de Nossa Senhora da Maia, já possamos ter um bocadinho mais daquilo que é a festividade e a proximidade das pessoas.

NM: Um ano sem exemplo?

NR: Eu espero bem que sim! E que em julho de 2021 estejamos a celebrar a romaria. Porque uma festa como esta é incompatível com o distanciamento social. Decidir fazer uma festa destas é correr o risco de, depois, sermos culpados por ter havido um surto de contágio. Não pretendemos isso de forma nenhuma. É preferível cancelar tudo, do que fazer qualquer coisa e depois correr mal. Isto é uma situação que ainda não passou nem vai passar assim tão facilmente e, colocar alguma coisa na rua, como umas farturas ou uns divertimentos, é correr um grande risco. Nem seria justo, da nossa parte, ter que escolher entre alguns feirantes de todos os que costumamos ter cá.

Para nós, Comissão de Festas, nem é só a Festa de Nossa Senhora do Bom Despacho. Também já não fizemos a Procissão dos Passos, a Procissão de Velas, não vamos fazer a Procissão do Corpo de Deus agora em Junho e, de facto, já é uma perda muito grande.

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