1.-Tantas vezes dizemos que “poder é servir”. Mas não é assim. Vamos ver o significado de “Poder”: “o poder manifesta-se de múltiplas formas no tecido social, ora como instrumento de transformação, ora como expressão de identidade coletiva. É através do serviço ao próximo que esse poder ganha dimensão ética, tornando-se ponte entre indivíduos, comunidades e tradições, irradiando valores e provocando mudanças duradouras”. E já agora o de “Serviço”: “serviço ultrapassa a noção de mera prestação de ajuda; ele é o gesto que transforma intenções em ações, que permite o encontro entre o individual e o coletivo. Quando alguém se dedica ao serviço, está a reconhecer a dignidade da outra pessoa e a construir, tijolo a tijolo, as bases de uma convivência mais justa e solidária. Assim, servir é também educar, partilhar saberes, criar laços que tecem a cultura comum”. Por fim vejamos o de “Cultura”: “a cultura, por sua vez, é o terreno fértil onde o poder de serviço floresce e se perpetua. Ela não é um simples acervo de tradições, mas um organismo vivo, pulsante, que se reinventa a partir das experiências partilhadas e dos saberes transmitidos de geração em geração. No encontro entre serviço e cultura, emerge a possibilidade de renovar significados, valorizar a diversidade e restaurar laços de pertença. É nesse espaço simbólico que as práticas solidárias ganham sentido, tornando-se referência e inspiração para novos gestos transformadores.”
2.- E também o que se entende por “Poder de Serviço: “o poder de serviço revela-se como uma força silenciosa, porém essencial, para a coesão social e o florescimento humano. Longe de se limitar à autoridade convencional, esse poder manifesta-se no compromisso com o bem-estar coletivo, impulsionando ações que visam o crescimento e a dignidade de cada indivíduo. Quando o serviço é exercido com autenticidade e abertura, torna-se semente de confiança, baseando-se no respeito mútuo e na escuta atenta das necessidades do outro.” Já agora vejamos o que é o “Poder Cultural”: “o poder cultural, por sua natureza, transcende os limites das instituições formais e infiltra- se nas práticas quotidianas, nas narrativas que moldam identidades e nos valores que sustentam comunidades. É uma força capaz de reconfigurar perceções e de abrir espaços para o diálogo, acolhendo tanto o passado quanto o desejo de futuro. Ao articular serviço e cultura, o poder cultural revela-se como fundamento invisível de mudanças profundas: é ele que inspira movimentos coletivos, refaz vínculos sociais e legitima projetos de transformação.”
3.- Aqui temos as “definições”, ou seja, o que entendemos -porque definir é limitar, e não estamos a limitar. Entendemos, porém, que o poder cultural, aliado ao poder de serviço, torna-se então catalisador de inovação e de renovação social, germinando possibilidades onde antes havia apenas rotina ou exclusão. Nesta situação é que afirmamos que o “Poder de Serviço”, isto é, a longitude do poder é um serviço, mas ele só é compaginável de tiver a caraterística se for cultural. Temos aí as eleições autárquicas que salvo algum partido são um “serviço às pessoas”, mesmo que seja “contra as pessoas”, porque pessoa é todo o ser e se é todo o ser dado sermos irmãos e irmãs todos cabem, independentemente do seu sexo, religião, cultura, tradições e nacionalidade. Será que afirmarmos que todos somos maiatos, portuenses, matosinhenses ou gaienses, ou mesmo portugueses, significa estarmos ao serviço das pessoas e logo da sua cultura? Claro que não. Antes de mais somos cidadãos e cidadãs do mundo e estamos a viver numa localidade que nos diz muito. Cuidado no voto, por que somos defensores do bem-comum, da cidadania, das pessoas e o poder de servir, só se compreendem pelo forma cultural do exercício da partilha.
Joaquim Armindo – Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental


