O Ministério Público acusou um cidadão português de 23 anos pela prática de um crime de espionagem na forma tentada, alegadamente após se apropriar de equipamentos informáticos ligados à NATO e tentar vender o respetivo conteúdo à Federação da Rússia.
Um jovem de 23 anos foi acusado pelo Ministério Público da prática de espionagem na forma tentada, depois de alegadamente se ter apoderado de dispositivos informáticos relacionados com a NATO e de ter procurado comercializar a informação junto de representantes da Federação da Rússia.
De acordo com o Departamento Central de Investigação e Ação Penal, a acusação foi proferida a 12 de fevereiro de 2026 e imputa ao arguido, em concurso efetivo, um crime de espionagem na forma tentada, três crimes de furto qualificado, dois deles em coautoria com outros dois arguidos, dois crimes de uso de documento de identificação ou de viagem alheio, um crime de falsas declarações, um crime de pornografia de menores, dois crimes de condução sem carta e onze crimes de denúncia caluniosa.
Os factos remontam ao período entre 3 e 7 de fevereiro de 2025, quando decorreu, na Escola da Base Naval de Lisboa, no Alfeite, em Almada, a Conferência Inicial de Planeamento do exercício REP MUS 2025, dedicado à experimentação robótica de sistemas não tripulados, que contou com a participação de cerca de 300 pessoas, na maioria militares.
Segundo a acusação, o arguido terá tomado conhecimento da realização da conferência e da relevância tática das matérias ali tratadas para a NATO e seus aliados. Nesse contexto, instalou-se num hotel na zona de Lisboa onde estavam alojados militares da NATO e apropriou-se de um computador e de um tablet pertencentes à organização e à Marinha sueca, afetos a um militar ao serviço da NATO.
Convencido de que detinha informação secreta e classificada, o arguido terá tentado aceder ao conteúdo dos equipamentos e copiá-lo, procurando posteriormente vendê-lo a agentes ou colaboradores da Federação da Rússia. Para o efeito, deslocou-se à Embaixada da Federação da Rússia, em Lisboa, não tendo conseguido concretizar o objetivo.
A investigação apurou ainda que o arguido utilizava documentos de terceiros para se identificar. Durante o inquérito, manifestou intenção de colaborar com as autoridades, mas essa colaboração revelou-se simulada. O arguido denunciou a existência de uma alegada organização criminosa dedicada à espionagem e violação de segredo de Estado, afirmando fazer parte da mesma e imputando crimes a onze pessoas, entre as quais um inspetor da Polícia Judiciária. Segundo o Ministério Público, essa versão não tinha correspondência com a realidade e visava desviar o foco da investigação.
O principal arguido encontra-se em prisão preventiva e sujeito a proibição de contatos. Os outros dois arguidos estão sujeitos a termo de identidade e residência. A investigação foi dirigida pelo Ministério Público, coadjuvado pela Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Contraterrorismo.


