“Portugueses primeiro” é uma expressão que remete ao “orgulho nacional” e uma suposta valorização das raízes e tradições lusas. Coloca em destaque a importância de preservar uma identidade cultural, promovendo a união e o respeito mútuo entre todos os que partilham a história e os valores de Portugal. Ao longo dos séculos, a resiliência e o espírito dos portugueses têm sido fundamentais para enfrentar desafios e celebrar conquistas, reforçando o sentido de pertença à nação. No entanto, é importante reconhecer que nem sempre os cidadãos, independentemente da sua nacionalidade, são colocados verdadeiramente em primeiro lugar. Em muitas situações, interesses políticos, económicos ou institucionais acabam por se sobrepor às necessidades das pessoas. Assim, reforçar o princípio de valorização e respeito pelo cidadão deve ser um objetivo permanente, para garantir uma sociedade mais justa e inclusiva. Da mesma forma, colocar as interculturas em primeiro plano revela a importância de promover o diálogo e a convivência entre diferentes culturas presentes em Portugal. Valorizar a diversidade cultural, respeitando as várias tradições, culturas, línguas e experiências, contribui para uma sociedade mais rica, dinâmica e tolerante. Ao estimular o entendimento mútuo e a colaboração entre comunidades, fortalece-se o tecido social e cria-se um ambiente onde todos podem prosperar, independentemente da sua origem. A interculturação representa o processo pelo qual diferentes culturas interagem, aprendem umas com as outras e transformam-se mutuamente. Este conceito vai além da simples coexistência, promovendo uma verdadeira troca de experiências, saberes e valores, onde todos os intervenientes contribuem para a construção de uma identidade coletiva mais abrangente. O diálogo intercultural é fundamental para combater preconceitos, fomentar o respeito e criar pontes entre comunidades diversas, reforçando a coesão social e enriquecendo o património nacional. O tema “Portugueses primeiro” levanta questões sobre identidade, pertença e inclusão numa sociedade cada vez mais globalizada. Por um lado, defender as tradições e valores nacionais pode fortalecer a autoestima coletiva e preservar um legado histórico valioso. Por outro, é fundamental equilibrar esse orgulho com a abertura ao mundo e o respeito pela diversidade, reconhecendo que o futuro de Portugal depende também da capacidade de integrar novas ideias, culturas e experiências. Só assim se constrói uma nação verdadeiramente coesa, moderna e preparada para os desafios contemporâneos.
E é aqui que reside a reflexão sob a expressão “Portugueses Primeiro” que exala árido conteúdo, submete os portugueses a uma lógica extemporânea e nada adjacente a portugueses que por “ares e mares nunca antes navegados”, nas primícias não do petróleo, mas de joias e coroas que nos custam caro e há-de custar por intermináveis anos. Os portugueses partiram, é certo, de várias formas e sentidos, uns para ganhar o pão que a pátria lhes negava, outros como exploradores de riquezas infinitas.
Os Portugueses e as Portuguesas nunca se esquecem que no labirinto da vida, construíram casas e família, e ainda o fazem, em recônditos âmbitos geográficos – não existe país, onde não se encontre um português. Por isso estão agradecidos a todos os países que os acolheram, por isso, mesmo, levaram a nossa cultura, ela mesmo um mesclado de outras culturas, e ainda bem. E é, também, por isso que dão novas de alegria aos outros povos e os devem acolher como foram acolhidos.
Hoje afirmar que um determinado povo de uma região, concelho ou país está “primeiro”, é uma injusta reflexão sobre a humanidade, quem está primeiro são as pessoas, com afirmação qualitativa das suas origens, que juntas construíram um cosmos mais planetário e justo, vivendo em Paz. Os arautos dos “primeiros” expõem um desiderato de guerras, que não fazem sentido, ou melhor, as guerras nunca fizeram sentido, antes projetaram ambições de comando, para gerir dinheiros.
Joaquim Armindo – Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental


