O presidente deposto da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, afirmou em entrevista ao canal 1Africa TV que Portugal teve um papel hostil no golpe de Estado militar que o destituiu, alegando discriminação contra líderes muçulmanos.
Umaro Sissoco Embaló, presidente deposto da Guiné-Bissau, acusou Portugal de ter uma atitude hostil que, segundo ele, contribuiu para o golpe de Estado militar que o afastou do poder. Em entrevista ao canal africano 1Africa TV, Embaló referiu que Portugal “é sempre muito hostil” quando o chefe de Estado guineense tem nomes como Mamadou, Omar ou Ibrahim, apelando à atenção sobre o facto de 60% da população do país ser muçulmana.
As declarações foram feitas na sequência do golpe ocorrido a 26 de novembro, e contrastam com a posição oficial portuguesa. Segundo a Lusa, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou ter falado com Embaló, que terá reagido de forma “positiva e simpática”. Na mesma entrevista, Embaló confirmou que chegou a Dacar, no Senegal, na noite de quinta-feira, num avião fretado pelo Governo senegalês. A sua deslocação ocorreu após uma cimeira virtual extraordinária da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para discutir a crise guineense.
O golpe militar aconteceu dois dias antes da data prevista para a divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro. Os militares justificaram a tomada de poder como uma medida preventiva face ao que consideraram ser uma ameaça à ordem pública e à estabilidade do Estado. Foi suspenso o processo eleitoral, declarados limites à comunicação social e imposto um recolher obrigatório.
O general Horta Inta-A Na Man foi empossado como Presidente da República de transição e já nomeou um novo Governo composto por 23 ministros e cinco secretários de Estado, incluindo vários militares nas pastas da Defesa, Ordem Pública e Saúde.
O novo executivo inclui ainda antigos membros do governo deposto e figuras políticas associadas ao PAIGC, partido que tinha sido impedido de concorrer nas eleições. Entre os nomes agora em funções estão João Bernardo Vieira, novo ministro dos Negócios Estrangeiros, e Ilídio Vieira Té, nomeado primeiro-ministro e ministro das Finanças.
A oposição guineense denuncia o golpe como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais, numa altura em que o candidato Fernando Dias da Costa já reivindicava vitória sobre Embaló.


