O episódio 21 da série “Sex Symbols”, exibida pela RTP2, está a gerar polémica por incluir explicações sobre bloqueadores hormonais e cirurgia genital, apresentadas como situações normais, em linguagem simplificada a um público infantojuvenil.
A RTP2 está no centro de uma polémica com a série de animação “Sex Symbols”, transmitida aos domingos à tarde e classificada como “para todos”. O episódio 21, dedicado ao tema “Transgénero”, é criticado por abordar, junto de um público jovem, questões como bloqueadores hormonais e cirurgia genital.
No episódio, a personagem Lúcia, apresentada como uma rapariga trans, explica que “ser trans é simples” e que “está tudo aqui dentro”, apontando para a cabeça. A narrativa descreve o processo de transição de género através de uma conversa entre crianças, onde são referidos explicitamente hormonas, cirurgias e alterações no registo civil.
“Não me vai crescer [bigode], tomo hormonas que impedem que me cresçam os pelos e que a voz fique grave”, explica a personagem. Mais à frente, acrescenta: “Quando for adulta logo decido se faço uma cirurgia para ter peito e vulva. Nem todas as pessoas trans optam por fazer a operação. Eu ainda tenho que pensar”.
A série também tenta justificar biologicamente a identidade trans, referindo que “no cérebro há uma zona que se chama estria terminal, responsável pela identidade sexual” e que “nas pessoas trans acredita-se que aconteçam mudanças nesta zona”.
Lúcia, ao explicar que nasceu com pénis, diz que desde pequena se sentia menina, e que, após conversar com os pais, estes a apoiaram. “Papá, mamã, as meninas podem ter pilinha? Claro, filho”, recorda.
A série define ainda conceitos como cisgénero, transgénero e não-binário. Ao abordar a possibilidade de não identificação com nenhum género, Lúcia afirma: “Então és uma pessoa de género não binário, não te identificas nem com o género masculino nem com o feminino”.
O episódio termina com uma metáfora sobre o dilema da identidade de género: um dos amigos da Lúcia sente vontade de ir à casa de banho e, ao deparar-se com uma porta com o símbolo masculino e outra com o feminino, hesita e questiona-se sobre qual escolher.
A jornalista Ângela Silva, no Expresso, critica a série por “banalizar e incentivar a dúvida sobre a identidade sexual” em crianças. Considera que a RTP “confunde respeito e tolerância com a legitimação de dogmas”, e acusa a televisão pública de apresentar conceitos controversos no meio científico como verdades absolutas, numa altura em que o Estado “higienizou” a disciplina de cidadania.


