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Conheça o testemunho deste maiato a viver literalmente no outro lado do mundo, na Nova Zelândia.

O Luís Miguel Paiva é um maiato a viver literalmente no outro lado do mundo, na ilha do sul da Nova Zelândia. Tem 35 anos e trabalha como Football Development Officer no país que o acolhe desde 2015.

Apesar da diferença de horário, o NOTÍCIAS MAIA conseguiu conversar com o Luís e fazer a pergunta que realmente se impõe: mas há mesmo mais ovelhas do que pessoas? A resposta está nos próximos parágrafos, no testemunho deste Maiato pelo Mundo.

Notícias Maia (NM): Como é que começa a tua experiência fora de Portugal? Como é que decides ir trabalhar para a Nova Zelândia?

Luís Paiva (LP): Em 2015 aquele que é agora o meu cunhado teve uma proposta para vir para cá e, como havia uma oportunidade para integrar a equipa, ele disse-me para me candidatar. Eu sempre gostei dessa ideia de aventura, de experimentar outra cultura, outros países e decidi arriscar. Na altura eu nem levei muito a sério, era tão longe (risos). Concorri e depois as coisas acabaram por se desenvolver muito rápido. Na altura o meu contrato era de três anos e eu achei que depois logo voltava, mas ainda não voltei.

NM: Quais foram as maiores dificuldades de adaptação quando chegaste a um novo país?

LP: É curioso, as pessoas de cá também me fazem essa pergunta. Eu acho que nunca senti nenhuma grande dificuldade desde que estou aqui. Eu diria que talvez, no início, tenha sido o Inglês. Eles têm um sotaque diferente e eu demorei seguramente mais de um ano a habituar-me. Em alguns momentos foi, a nível pessoal, um desafio grande. Não digo que influenciou o meu trabalho, porque é um trabalho mais técnico, mas acho que no aspeto pessoal foi assim mais desafiante. Tudo o resto, não é assim tão diferente, tirando a cozinha.

NM: Como é que tu descreverias o país? Como é que são as pessoas?

LP: Eu diria que, no geral, há um sentido de igualdade social que não é sequer comparável com Portugal ou, eu diria, com o resto da Europa. Nos diferentes estratos sociais, que também existem, não há uma discrepância tão grande entre eles. Aqui as pessoas relacionam-se, são humildes e aceitam as diferenças. Não há estatutos a nenhum nível e eu acho que isso faz qualquer pessoa que venha de fora sentir-se confortável e obviamente que, para além disso, a qualidade de vida que o país oferece é outra das coisas que o torna tão especial.

NM: Além desses fatores há mais alguma razão que te faça mesmo gostar de viver aí?

LP: A minha namorada é de cá, e eu podia usar essa razão que também seria verdade, mas eu diria que mesmo antes disso, foi o quão confortável eu me sentia nos primeiros três anos, a nível social. Mesmo falando uma língua diferente, o país dá-te oportunidades para fazer tantas coisas fora do que é trabalho. Existe um equilíbrio muito grande em termos do que é o trabalho e o lazer. O país é tão diferente de Norte a Sul, há uma variedade muito grande de coisas para ver, para visitar e de ambientes diferentes que podes experimentar. Apaixonei-me pelo país.

NM: Há mesmo mais ovelhas do que pessoas na Nova Zelândia?

LP: Sem dúvida, muito mais. Principalmente na Ilha do Sul, onde eu vivo, que é muito mais verde que a Ilha do Norte. Na cidade onde eu estou agora, à volta tem uma zona de muitas quintas com vacas e ovelhas. Se tu viajares para sul pela estrada principal, a maior parte do que tu vês é verde de um lado e do outro, e ovelhas!

NM: O que é que é mais curioso de viver na Nova Zelândia? Há algum hábito que as pessoas tenham que seja, para nós, de alguma forma impensável?

LP: Eu lembro-me que quando cheguei cá, nos primeiros dois meses, eu entrava no supermercado e via pessoas descalças. Na cidade onde eu estava antes era muito normal ires ao supermercado e veres pessoas descalças e de pijama. E era uma coisa que nunca aconteceria em Portugal! Eu achava engraçado e comentava e é uma coisa cultural, não lhes importa absolutamente nada daquilo que os outros pensam. Acho que é aquela sensação de liberdade.

NM: As pessoas daí sabem que Portugal existe e onde ficava?

LP: A grande maioria sabe onde Portugal fica. A Nova Zelândia tem muitos emigrantes, mas as pessoas de cá normalmente sabem onde é Portugal. Eu já conheci muita gente aqui que já esteve em Portugal, ou se não esteve em Portugal esteve em Espanha e diz que gostava de ter ido.

NM: E já conheceste muitos portugueses a viver na Nova Zelândia?

LP: Isto é difícil de acreditar, mas eu conheci o primeiro português em janeiro deste ano, quando fiz uma viagem na Ilha do Norte. Alugamos uma caravana e fizemos essa parte da Ilha do Norte. Numa paragem estávamos a conversar e um rapaz olhou para nós. Era um rapaz de Esmoriz que percebeu que eramos portugueses porque nos ouviu. Foi aí que eu conheci o primeiro português.

NM: Falando um bocadinho da atualidade. Como é que está a pandemia na Nova Zelândia? Em que situação é que vocês estão?

LP: Neste momento, eu diria que está controlada. Nós tivemos um pequenino susto há coisa de um mês atrás, em que houve um par de casos na comunidade, mas ao fim de duas semanas foi rapidamente controlado e voltou ao normal. Neste momento não há novidades, o Governo anunciou há dias uma bolha que permite viajar entre a Austrália e a Nova Zelândia, sem necessidade de quarentena. O que quer dizer claramente que as coisas estão controladas.

NM: Vocês continuam a usar máscara na rua, por exemplo?

LP: Não, aqui nunca foi preciso usar máscara na rua. Continua a ser obrigatório usar nos transportes públicos mas na rua nunca foi obrigatório. Mas houve uma altura, no ano passado, que o Governo aconselhava. Às vezes ia ao supermercado e via uma pessoa ou outra, mas diria que 95% das pessoas não usavam máscara. E sempre esteve controlado. Eu que a grande diferença foi que, quando as coisas atingiram aquelas proporções que nós atingimos o ano passado, o Governo fechou as fronteiras. E sendo uma ilha tão longe do resto do resto do mundo é sempre mais fácil controlar. E depois também há a parte cultural, em que as pessoas entendem, as pessoas respeitam, as pessoas estão informadas na sua grande maioria e isso acaba por fazer uma grande diferença.

NM: E para terminar, pensas em regressar a Portugal? Gostavas?

LP: Gostava e penso regressar a Portugal. Neste momento não estou numa posição em que posso dizer quando, se vai ser este ano, se vai ser para o próximo, mas eu gostava. Falo isso muitas vezes com a minha namorada e ela gostava de viver aí, pelo menos uns tempos. Portanto, está nos meus planos, mas neste momento não sei quando é que vai ser. Vai depender de oportunidades e também da questão da pandemia. Mas sem dúvida que sim.

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