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Bruno Nogueira: “Em comédia nunca te consegues descobrir e afinar sem ser com o público”

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Depois de 10 anos afastado do stand-up, Bruno Nogueira decidiu voltar aos palcos e a Maia fez parte do seu roteiro. Depois de um espetáculo completamente esgotado, o Notícias Maia falou com o humorista.

Notícias Maia (NM): Dez anos depois voltas ao stand-up. Esta pausa foi mesmo medo ou vontade de fazer outras coisas?

Bruno Nogueira (BN): Foi uma mistura dos dois. Houve ali uns 3 anos, a seguir ao “Última Vez” que eu não quis e depois uns 7 anos em que estava a querer fazer mas a ideia deixava-me ansioso. Eu queria que fosse o meu melhor espetáculo. Então foi fazer as pazes com isso e perceber que é o melhor que sei fazer agora.

NM: E esgotar todas as salas até agora, dá ainda mais medo ou dá confiança?

BN: Dá confiança sim. Eu gosto mais de falar para uma sala composta. Curiosamente mais gente torna aquilo tudo mais quentinho e não me assusta. No fundo é uma massa de pessoas que está ali só para ver o espetáculo.

NM: E o que é que te faz querer voltar? Existe um turning point que te faz tomar essa decisão?

BN: Foi uma abertura que aconteceu na agenda, aliás, eu forcei-me a não marcar nada para este ano. Depois como não ia ter nada para fazer marquei uma data de estreia. Para mim esta é a melhor forma de me fazer trabalhar porque trabalho melhor sob pressão. Tinha de ser.

NM: Em relação ao texto do espetáculo, foi pensado ao longo destes anos ou foi só depois de decidires avançar com o stand-up?

BN: Eu só escrevi agora mas são coisas que me acompanham há muito tempo. Só nunca as tinha posto no papel. Mas são coisas que me acompanham e, nesta fase da minha vida, era isto que me atormentava.

NM: O que é que as pessoas podem esperar ao ver este espetáculo?

BN: Acho que um espetáculo de stand-up é sempre uma espécie de diário exagerado daquela fase da tua vida. Eu acho que falo de coisas mais pessoais aqui do que numa entrevista para um jornal ou uma rádio. Portanto é isso, uma fatia do meu ano.

NM: E nisto de escrever piadas, é possível ter a certeza de que um texto vai ter mesmo graça ou é sempre imprevisível?

BN: Há coisas que sabes que funcionam mas, depois, com os anos, é dessas coisas que tentas fugir. O desafio passa a ser o de escolher outras maneiras mais elaboradas de chegar ao riso. Mas sim, é uma mistura. Há coisas que eu já sei que vão funcionar melhor, coisas que superam aquilo que eu estava à espera e há coisas que eu achava que eram ótimas e não resultam. Em comédia nunca te consegues descobrir e afinar sem ser com o público.

NM: Se pudesses falar com o Bruno Nogueira que se apresentou em 2003 no Levanta-te e Ri, o que lhe dirias?

BN: Para já dizia que era uma irresponsabilidade experimentar texto em direto para milhões de pessoas. Era um risco tremendo. Ou melhor, não sei se dizia, porque de outra forma não o teria feito.

NM: Então muitas vezes era a primeira vez que contavas aquelas histórias em público?

BN: Literalmente em direto. Eu podia comentar com uma ou duas pessoas mas era praticamente pela primeira vez. Não é como faço agora em que ando meses a testar material em bares.

NM: Imagino que várias pessoas te peçam para contares uma piada em variadas situações. Qual é a tua reação?

BN: Não levo a mal mas não consigo controlar que me incomode sempre um bocadinho. Porque acho que é das poucas profissões em que pedem para nós a exercermos do nada na rua, ou numa consulta ou com a família num restaurante. Eu tenho uma coisa irracional que me dá vontade de gritar mas depois processo isso tudo e tento ser o mais simpático possível. Até porque acho que não vem de um sítio mau quando pedem.

NM: Sobre o panorama da comédia pelo mundo, o que tens a dizer sobre esta ideia crescente de que o ponto máximo do stand-up é fazer o público chorar?

BN: Em stand-up há muito esta nova moda. Há um exemplo chamado Nanette da Hannah Gadsby. Aquilo é muito confessional e ela fala em como foi abusada e da sua homossexualidade. É muito comovente mas eu já não acho que seja stand-up. Hoje em dia há essa necessidade de ir parar à força ao sítio do que é comovente e que leva as pessoas a sentirem empatia e pena da pessoa que está em palco. Eu não acho que essas pessoas sejam más pessoas, só não acho é que seja comédia.

NM: Esperamos 10 anos por um espetáculo de stand-up. Quando este terminar, vamos esperar outros 10?

BN: (risos) Pois, não faço mesmo ideia. A minha agenda acaba no dia do espetáculo na Altice Arena e daí para a frente não tenho marcado nada porque não sei o que quero fazer a seguir. Acho que lá para o fim do ano devo descobrir.

NM: Para terminar, agora que terminou o espetáculo, o que dizer do público maiato?

BN: Foi ótimo. Eu não fazia o espetáculo há 5 meses. Confesso que estava com algum receio, não pelo público, porque o Norte sabe receber muito bem, mas porque temia não corresponder às expectativas do público.

NM: E logo uma sala cheia!

BN: Sim, e depois tu não queres que aquelas pessoas saiam dali frustradas. E como eu estava um bocadinho inseguro com algumas coisas do texto, o público ajudou-me muito. DF

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