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Entrevista: Centro Comunitário, 19 anos de mãos dadas com a população

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© DR/Notícias Maia
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Uma resposta integrada às carências e expectativas da população

Mário Figueiredo, com 61 anos acabados de fazer, é animador cultural na Misericórdia da Maia desde 1986. Trabalha desde então no Bairro do Sobreiro, tendo começado no Centro de Animação de Infância que aí estava instalado. Atualmente é o responsável pelo Centro Comunitário Vermoim/Sobreiro, um equipamento social localizado em pleno coração da cidade da Maia e nascido da necessidade de intervir junto de uma comunidade em clara necessidade.

Mário Figueiredo
© Aldo Maia / Notícias Maia

NM: O que é o Centro Comunitário Vermoim/Sobreiro?

MF: O Centro Comunitário trabalha com a comunidade mais vulnerável do concelho e constitui a única resposta completa que existe. Nasceu em 2000, depois de dois projetos de luta contra a pobreza que decorreram consecutivamente entre 1990 e 2000. Tem como principais parceiros o município, que cedeu o espaço, e todo o conjunto de entidades que constituem a rede social da Maia. Estamos a falar de parceiros como a Segurança Social, todas as IPSS e algumas empresas.

NM: Quantos utentes tem este Centro e quais são as suas valências?

MF: Temos cerca de 1200 utentes em todos os nossos serviços, divididos em quatro grandes áreas:

A área das atividades ocupacionais, que evita o isolamento dos seniores, fomenta comportamentos assertivos nas crianças e jovens e previne a criminalidade entre toxicodependentes e outros com comportamentos de risco.

A área do apoio à formação e empregabilidade, ao abrigo da qual fazemos formações para pessoas desempregadas de longa duração, em colaboração com IEFP da Maia, do qual somos parceiros há muitos anos. O objetivo é que estas pessoas em situação de desemprego de longa duração, adquiram competências profissionais que lhes permitam abrir a porta do mercado de trabalho, deixando de depender do RSI e ganhando autonomia.

Uma outra grande área é o apoio social. Por vezes há quem não consiga ser autónomo, seja por motivos de pobreza estrutural, por níveis de dependência elevados ou por falta de competências pessoais. Para estes casos temos uma cantina social, um balneário e armários para os seus pertences. Temos ainda um pequeno apartamento, em parceria com o município e com a empresa municipal de habitação, para conseguirmos trabalhar algumas pessoas que só precisam de um pequeno empurrão rumo à sua autonomia. 

Há ainda a área da doação de alimentos, que suprem pelo menos metade das necessidades de uma família e onde são apoiadas cerca de 900 pessoas.

NM: Como são identificados e referenciados os utentes?

MF: Por vezes chegam autonomamente ao Centro, mas na maioria dos casos são encaminhados por entidades como o Gabinete de Apoio Integrado Local (GAIL), que é um dos melhores exemplos da nossa rede de apoio social. Os GAIL possuem técnicos do município e de entidades parceiras, constituindo a primeira linha na resposta aos problemas.

Cozinha do CCS © João Loureiro / Notícias Maia

NM: Uma das conquistas mais recentes foi a construção de um balneário social. Como foi possível realizar este projeto?

MF: O balneário está instalado numa antiga casa de banho, que se encontrava num estado sofrível. Havia um desejo de dotar o espaço de condições dignas mas não havia dinheiro porque o projeto era caro e nós não tínhamos verbas. Ninguém paga para usar o centro, não temos forma de rentabilizar o espaço, aqui o dinheiro só sai. 

Submetemos então um projeto a várias entidades, entre elas a Leroy Merlin da Maia, cujos responsáveis se deslocaram ao Centro para confirmar a falta de condições e rapidamente, a título de responsabilidade social, forneceu o material necessário à obra. A mão de obra foi garantida pela Santa Casa. 

NM: Quantas refeições são fornecidas por dia?

MF: Neste momento servimos cerca de 100 mas já servimos mais. Destacava ainda uma parceria que temos com a Junta de Freguesia Cidade da Maia, na qual fornecemos cerca de 17 refeições a idosos isolados nas suas casas, que não conseguem cozinhar. Há pessoas que até podem ter dinheiro mas estão sozinhas em casa ou não possuem competências e nós cozinhamos, enquanto a Junta transporta as refeições em troca de um preço simbólico. 

Centro Comunitário de Vermoim/Sobreiro © Aldo Maia / Notícias Maia

NM: Como avalia o sucesso dos projetos realizados pelo Centro?

MF: A título de exemplo, recentemente, em parceria com a EDP, realizamos um projeto para capacitação de desempregados de longa duração, em restauro de móveis. Após a formação contactei os empresários para obter estágios e os alunos foram acompanhados individualmente. Dessa turma de 20 pessoas, apenas dois estão desempregados porque efetivamente não querem mesmo trabalhar.

 

NM: Está em curso nesta área do Sobreiro, uma intervenção profunda a nível urbanístico. Quais os benefícios para o Centro Comunitário?

MF: Estamos a participar ativamente neste projeto, junto da população, preparando-a para uma nova urbanidade. Esperamos que a Câmara tenha capacidade financeira para nos construir o novo Centro Comunitário, na Praça do Oxigénio. Tal iria revitalizar toda esta zona, com um projeto lindíssimo, dotando-nos ainda de mais capacidades estruturais para abrir o leque de intervenção social a toda a comunidade. Muita gente não vem porque estamos no Bairro do Sobreiro e as pessoas têm medo. Depois já não há essa desculpa. JL/AM

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