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“Eu era a favor da pena capital, depois fui condenado à morte”

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© DR/Daniela Fonseca

O salão nobre dos Paços do Concelho acolheu esta sexta-feira, dia 30 de novembro, uma conferência no âmbito da comemoração do Dia Internacional “Cities for Life” – Cidades pela Vida – Cidades Contra a Pena de Morte. Durante mais de uma hora, a comunidade Maiata pode ouvir as perspetivas de algumas personalidades ligadas à temática, bem como, a experiente voz de alguém que esteve condenado a morrer.

Joaquin José Martinez é o testemunho de alguém que passou pelo corredor da morte mas que foi considerado inocente antes de cumprir a pena. A história de Joaquin José Martínez  teve um final feliz graças ao esforço da sua família que procurou o apoio de várias entidades, governos de diferentes países e, até do Papa João Paulo II, para que o julgamento fosse refeito.

Joaquin José Martinez começou por explicar como foi acusado do assassinado de um casal nos Estados Unidos da América, país onde nasceu e vivia na época. Um depoimento dado pela ex-mulher de Joaquin foi o princípio de uma acusação que veio a tomar a gigante proporção da pena capital. O ex-condenado confessou que a sua imaturidade de pouco mais de 20 anos não lhe fez perceber a magnitude da acusação até ser levado para o corredor da morte – “Perdi a fé em tudo e todos”.

Joaquin conta que cresceu com a ideia de que a pena de morte era um castigo merecido a quem cometia crimes bárbaros e que, a condenação dos culpados, seria um alívio para as famílias das vítimas. Esta máxima “fazia todo o sentido” porque “a morte era a justiça”.

Joaquin falou ainda da violência física e psicológica que sofreu na prisão partilhando a história de um condenado à morte que conheceu na prisão. Este homem havia estado 21 anos na prisão à espera da pena capital mas acabou por sucumbir a um cancro. Um ano depois da sua morte, foi considerado inocente.

“Esta é a minha cruz. Falar da minha história pelos 13 colegas que estavam comigo naquele corredor mas que não tiveram a mesma sorte” – Joaquin foi considerado inocente depois de um novo julgamento e, atualmente dedica-se a espalhar o seu testemunho pelo mundo.

Joaquin José Martinez partilhou ainda a história da morte do seu pai, vítima de um atropelamento por um jovem de 17 anos. Joaquin conta que “quis matar o rapaz” e foi nesse momento que percebeu que “a morte do culpado não ia diminuir a dor da perda”. Terminou realçando que a condenação à morte “é apenas um ato de vingança, ódio e falta de compaixão”.

Na conferência estiveram ainda presentes outros oradores, bem como, o presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago. O presidente referiu a importância destas comemorações e sublinhou a magnitude daquele que é “o direito inigualável à vida”. Entre os oradores, foi ouvida também a responsável pela secção Norte da Comunidade Sant’Egídio. Diana Ferreira partilhou a sua convicção e sublinhou que admitir a pena de morte “é reduzir a sociedade àqueles que assassinam”. Ainda no seguimento dos palestrantes convidados, a plateia pode ouvir a voz experiente do professor e antropólogo, Pedro Ferreira. O professor fez várias citações de nomes como Kant e terminou dizendo que “o corredor da morte é uma morte antes da própria morte”.

Recorde-se que a Maia é uma “Cidade pela Vida” e que, já em 2017, participou na iniciativa global de iluminar um edifício no dia 30 de Novembro. Este dia simboliza a data da primeira abolição da pena capital no Grão-Ducado da Toscana, Itália, em 1786.

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