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Marta Carvalho tem 26 anos e está, desde fevereiro, a viver em Dublin, na Irlanda. Partiu para a aventura no início da pandemia através de um estágio do INOV e, quando o estágio terminou, já tinha a certeza que queria continuar a viver e trabalhar por lá.

Licenciada em Marketing e mestre em Ciências da Comunicação, esta maiata quis desafiar-se pela vontade que tinha em viver fora de Portugal.

Cozinca

Em Dublin, estagiou no Turismo de Portugal, abraçando agora um projeto na WIX, empresa de construção e edição de websites, onde trabalha como “Customer Care Expert”.

O NOTÍCIAS MAIA foi conhecer esta Maiata pelo Mundo que se apaixonou por Dublin e que completa agora os primeiros oito meses da sua estadia além-fronteiras.

Notícias Maia (NM): Como é que começa a tua aventura em Dublin? Já tinhas tido alguma experiência fora de Portugal?

Marta Carvalho (MC): Não, aliás, dos meus maiores arrependimentos foi nunca ter feito ERASMUS. Adoro viajar e sempre quis viver fora. Eu estava um bocado estagnada no meu trabalho e o mestrado já me estava a cansar. Então disse para mim mesma que, assim que terminasse o mestrado, ia aventurar-me para fora. Então candidatei-me ao INOV e fui selecionada para trabalhar no Turismo de Portugal, na Embaixada. Foi o sítio certo no momento certo. As coisas correram muito bem e, quando acabou o estágio, por querer mesmo ficar aqui, procurei trabalho e, felizmente, consegui.

NM: Quais foram as tuas primeiras impressões da cidade?

MC: Acho que foi o frio! (risos) O tempo não é bom e é preciso saber lidar com dias onde sentes as quatro estações. Depois notei que era uma cidade muito movimentada e ocupada, embora agora esteja mais calma porque o Governo Irlandês ainda não deu permissão para que todos regressem ao trabalho.

NM: Sentiste-te acolhida pelos irlandeses?

MC: Totalmente! Senti-me rapidamente em casa. Aliás, quando falava de Turismo, no trabalho na Embaixada, eu referia-me a “nós” como irlandeses. Encontrei aqui uma casa. Senti-me tão bem acolhida. Às vezes o mais difícil é mesmo entender o sotaque irlandês (risos). As pessoas são muito simpáticas e prestáveis. Não há julgamentos, são um povo bastante recetivo. Claro que não é um país perfeito mas tenho gostado muito de o conhecer.

NM: Alguma vez te sentiste discriminada por seres portuguesa?

MC: Eu, pessoalmente, não. Sempre me senti muito segura aqui. Só me confundem como brasileira (risos). Tirando isso, acham até uma certa graça por sermos de Portugal.

NM: E qual é a impressão que os irlandeses têm dos portugueses?

MC: Eu sinceramente acho que eles nem têm ideia. Curiosamente, não há muitos portugueses aqui. Como não têm muita oportunidade de os conhecer, acabam por não ter uma opinião formada.

 

NM: Acabaste o estágio e querias mesmo continuar aí. Que oportunidades achas que tens em Dublin que não terias em Portugal?

MC: Não quero ser injusta, mas é uma realidade totalmente diferente. O mercado de trabalho aqui é outro nível. Primeiro, os salários. Eu passei a ganhar três vezes mais aquilo que ganhava em Portugal. Aqui tens muitas multinacionais que te dão valor, te dão um bom salário, um seguro de saúde e até as refeições. Sentes-te realizada e parte de algo maior.

NM: O que é que mais gostas na cidade?

MC: Eu adoro ver as casas de tijolo tipicamente britânico do centro da cidade. Depois é muito verde, tens árvores por todo o lado e os parques acabam por ser as praias daqui. É um país tão bonito, até vês raposas no meio da rua!

NM: Foi uma paixão à primeira vista pela cidade.

MC: Foi em janeiro e foi quando descobri que vinha para aqui! Isto porque a primeira vez que visitei Dublin foi em janeiro deste ano e nem tinha ideia de que seria colocada num estágio aqui. Inicialmente era para ir para a China mas, por causa da Covid, mudaram-nos os planos. Não sei explicar, as coisas fizeram tanto sentido.

NM: Estiveste longe de Portugal durante sete meses. Como foi vivido esse tempo por ti?

MC: Tive sempre aquela preocupação natural, até porque tenho um avô com alguma idade que nos inspira mais cuidados. Mas a minha foi-me sempre tranquilizando. Ela sabia que eu estava bem. Acabei por encontrar conforto nisso. E fui sempre mantendo contacto com família e amigos. Acaba por ajudar bastante. Como eu já ansiava há tanto tempo vir para fora, acabei por não estar tão triste e deprimida. E antes de começar este novo trabalho, pude finalmente ir a Portugal para recarregar energias e apanhar um bocadinho de sol.

NM: Imaginas-te a continuar a viver fora de Portugal no futuro?

MC: Sim. Quero ficar em Dublin pelo menos mais um ano. Quero viver o verdadeiro potencial desta esta cidade porque, mesmo já tendo visto algumas coisas, sei que ainda não vi nada. Quero vivenciar o Saint Patrick’s Day, a Gay Parade, tudo! Mas também gostava de viver noutros sítios. Barcelona, por exemplo, sempre foi uma cidade que me despertou bastante interesse. E vejo-me um dia a voltar para Portugal, quem sabe, se as condições forem diferente. Portugal é a minha casa e tenho muito aquele orgulho tipicamente português. Faço das tripas coração a falar de Portugal aos irlandeses.

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