Sofia Santasmarinas tem 24 anos e é enfermeira em Inglaterra. Maiata de raiz, conta que trocou a Maia e o país por uma maior valorização da sua profissão. Conheça o testemunho desta Maiata pelo Mundo.

Sofia Santasmarinas tem 24 anos e completou, em julho de 2021, um ano a trabalhar fora do país. Conta que foi à procura da valorização na sua área, a enfermagem, e que, apesar das saudades, não tem planos de voltar a trabalhar em Portugal.

Cozinca

O NOTÍCIAS MAIA foi conhecer esta Maiata pelo Mundo a viver em Royal tunbridge Wells, a cerca de 1h30 de Londres, em Inglaterra.

Notícias Maia (NM): Como é que começa a tua aventura no estrangeiro? Como é que decides ir trabalhar para o Reino Unido?

Sofia Santasmarinas (SS): Para começar, vir para fora já era uma coisa que eu queria há muito tempo porque, infelizmente, a minha área não é muito valorizada em Portugal.

NM: Chegaste a exercer em Portugal?

SS: Cheguei. Durante três ou quatro meses trabalhei numa Medicina do Trabalho. Era em Espinho, tinha de apanhar metro e comboio e, basicamente, se não vivesse com os meus pais, estaria a pagar para trabalhar. E isso é muito triste na verdade.

NM: E porque é que decides ir para o Reino Unido e não para outro país qualquer?

SS: Tenho a minha irmã cá e queria muito ir trabalhar para o mesmo hospital onde ela está. Não necessariamente trabalhar com ela mas perto dela.

NM: Até porque agora a tua irmã também tem uma filha e assim podes estar perto da tua sobrinha.

SS: Exatamente. E, da minha família, sou a única que tem a sorte de a poder ver crescer.

NM: Sentes que o facto de a tua irmã estar aí tornou esta decisão de ir viver para fora mais simples?

SS: Sim, eu já queria vir para cá na mesma mas há muita coisa que eu não sabia do país e que soube graças a ela. Na altura, até foi a minha irmã que me avisou que iam fazer entrevistas no hospital onde ela trabalha. Meti-me num avião e vim para Inglaterra. Fui à entrevista, disse que queria muito aquele trabalho mas que ainda não tinha sequer o exame de inglês, que é um dos requisitos. Eles disseram que não havia problema e que, quando eu tivesse tudo legalizado, poderia começar. Tanto é que a entrevista foi em fevereiro e eu só comecei a trabalhar em julho.

NM: Como é que foi começar a trabalhar no meio de uma pandemia? Principalmente na área da saúde. Tiveste medo?

SS: Não. Acho que até me deu mais vontade de sair porque, com a pandemia, a minha situação enquanto enfermeira em Portugal ainda ficou mais mal parada.

NM: Sentes a tua profissão valorizada aí no Reino Unido?

SS: Muito. Temos várias regalias, como não pagar autocarro, por exemplo, e existe um grande reconhecimento pelos profissionais de saúde. Aqui há uma grande gratidão das pessoas pelo trabalho dos enfermeiros. E mesmo no trabalho, sentes uma grande rede de apoio. Com todo este stress da pandemia, tivemos uns bons meses em que havia um colega que vinha ter connosco para fazer exercícios de respiração, por exemplo.

NM: Em relação à cidade onde estás, gostas de viver aí?

SS: Gosto. Acho que há um grande choque cultural quando vimos para cá! Não existe o tomar café e não existem almoçaradas e jantaradas (risos). E depois também é difícil fazer amigos, sou sincera. Mas, ao mesmo tempo, quando encontras outros portugueses há logo uma amizade instantânea.

NM: De que é que sentes mais saudades?

SS: Da comida (risos). E dos amigos e da família, claro. Por causa da pandemia estive um ano sem ir a casa. Dá muitas saudades de casa mas acho que trabalhar fora é uma grande experiência e recomendo a toda a gente que o faça.

NM: Já me falaste da tua vida e do que sentes mais saudades. Imaginas-te a viver aí muito mais tempo?

SS: Sim. Eu vejo colegas portugueses da minha irmã a voltar para Portugal para ter filhos e, sinceramente, não entendo. Ir para Portugal depois de saberes que podes ter este ambiente de trabalho incrível, não sei. Se calhar na reforma, talvez.

NM: Então o teu plano é mesmo continuar a trabalhar fora de Portugal.

SS: Sim, não me importo de ir trabalhar para outra cidade ou para o Canadá, por exemplo, mas não voltaria para Portugal, a menos que existisse uma grande mudança na forma como os profissionais de saúde são tratados. É uma grande oportunidade estar aqui. Sou muito grata por isso.

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