A fadista atuou no palco junto às pirâmides nas festas em honra da Nossa Senhora do Bom Despacho.

Já lá vai o tempo em que o fado era cantado de preto com um xaile pelos ombros. Existe uma nova geração de fadistas que tem vindo a encontrar novas formas de encarar esta musicalidade que é tão Portuguesa. Os fadistas tradicionais diriam que não é fado. E não poderiam estar mais enganados.

DS Crédito

O que aqui vimos foi uma fadista de corpo e alma. Uma artista que canta o fado, ora corrido, ora chorado, mas sempre com a verdade de quem o vive.

Gisela João subiu ao palco e foi com “Labirinto Ou Não Foi Nada”, um original seu, que deu inicio àquela que haveria de ser uma bonita noite para o público Maiato.

“Eu sou uma romântica, gosto de cantar canções de amor” – Assim entoou “O Mundo É Um Moinho”, canção de Cartola do ano de 1974. O público reconheceu o poema e foi, ainda que timidamente, cantando com a artista.

O espetáculo de Gisela João é uma viagem entre o fado que chora a saudade de alguém que já não volta e a alegria de quem vive um amor. Uma junção de ritmos que nos transporta por estes dois mundos sem estranhar.

Durante mais de uma hora de concerto, pudemos ouvir originais e também diversos covers de outros artistas, alguns, reeditados e gravados pela fadista. É o caso de “O Senhor Extraterrestre”, fado escrito por Carlos Paião para Amália Rodrigues; “Sou Tua”, canção de Maria da Fé, e “A Minha Casinha”, original de Milu e imortalizado pelos Xutos&Pontapés. Também a icónica “Casa Da Mariquinhas” não falhou o alinhamento.

“Eu sinto falta das guitarradas no fado. Há sempre um momento para deixar que vocês criem os vossos poemas” – Altura para Gisela deixar o público apenas com os três músicos que a acompanham na guitarra portuguesa, acústica e no baixo. Um belo momento musical que nos envolveu no choro dos acordes aqui tocados.

Já na reta final, Gisela João voltou a cantar Cartola no tema “As Rosas Não Falam”. Seguiram-se os originais “Meu Amigo Está Longe” e “Noite de São João”. Antes de partir para o Encore, a fadista trouxe a contagiante “Bailarico Saloio”, novamente de Amália Rodrigues.
Para o fim, haveria de deixar a sua versão de “La Llorona”. Um tema cantado por Chavela Viegas, uma mulher que se vestia com roupas masculinas para poder cantar numa altura onde só os homens podiam cantar estes temas de música tradicional mexicana.

O original “Antigamente” foi o escolhido para encerrar esta que foi uma noite especial para o Município da Maia. E ainda que envergonhados no início, os Maiatos foram cantando e baloiçando ao som deste fado que encantou quem por cá passou.

Hoje, a romaria continua com espetáculos musicais. É a vez de Anselmo Ralph marcar presença no palco junto às Pirâmides pelas 22 horas.

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