Está claro que o Adão e a Eva, personagens bíblicas do livro do Génesis, são personagens tipo, alegóricas, sendo que Adão significa humanidade e Eva significa mãe da humanidade. O estilo literário do Génesis é dos mais bonitos, figurativos e alegóricos da literatura. E é assim que deve ser interpretado. Um poema figurativo do qual tiramos muitas ilações sobre a cultura de um povo, que viveu numa determinada época. Desta leitura, independentemente de sermos católicos ou ateus, depreendemos muito da história da humanidade. E é sobre humanidade que hoje me debruço: a Humanidade com letra maiúscula.

Cozinca

Tenho-me deparado com muitos cães abandonados na via pública e em paralelo com muita dificuldade em saber exatamente para onde ligar, qual a entidade que vai atender ao meu pedido de recolha? Reparem está sublinhado, por ordem de prioridade.

Onde está a humanidade de quem os abandonou? Não humanidade de “conjunto de homens”, que também é importante, mas a humanidade de “sentimento benévolo e solidário em relação aos outros, aos frágeis”, por oposição a maldade ou malevolência.

Tenho-me deparado com imensas máscaras usadas e recalcadas no chão. Por falar em humanidade… Que humanidade tem aquele que ainda não percebeu que ao contaminar os outros, contamina-se a si próprio. A Covid-19 é doença que ainda não tem cura. É a doença da era moderna. Talvez há 20 anos atrás não teria este tipo de propagação, é que vivemos a era da globalidade. A perigosa doença viajou a aldeia mundial ao estalido de um dedo.

Tenho-me ainda deparado com algumas atitudes irreais de falta de humanidade, ou melhor de malevolência, quando vejo indivíduos a encher as suas garrafinhas pessoais e portáteis de gel desinfetante em espaços abertos ao público, por exemplo, supermercados, bombas de gasolina entre outros. Será que a sua humanidade não lhes permite distinguir roubar de usar com cidadania? Será que o anónimo que criou as ditas personagens de Adão e Eva não queria dizer ao mundo que nos foi dado um jardim (Terra) para nele viver e dele cuidar, e que tudo o resto que não se devia fazer. “Comer o fruto” da árvore da sabedoria, representa a malevolência. “Comer o fruto” como o ato daquilo que não se deveria fazer enquanto humanidade mas à qual dificilmente se resiste. Será que não depreendem que tem custos elevados manter os dispensadores públicos cheios de gel e que dizer custos públicos significam que nós cidadãos os pagamos duas vezes, se todos continuaram a roubar? Ou no caso dos privados deixam simplesmente de os colocar.

Perdoem-me os trocadilhos e as brincadeiras com as figuras bíblicas. É tão fácil culpar a serpente. Perdoem-me a escrita com o uso das anáforas, perguntas retóricas, antíteses e metáforas à mistura, porque o assunto é para mim muito sério. Se não existissem pessoas verdadeiramente humanas que se dão como voluntários para muitos trabalhos sociais, devido à sua forte humanidade, a malevolência ganharia. E aqui cheguei ao estatuto do voluntário, atenção, do verdadeiro voluntário. Dos voluntários que dentro das associações, se dão para os serviços que o Público (entenda-se entidades públicas) não faz, faz mal. Vemos dos políticos de responsabilidade atitude populistas para a fotografia, para a rede social, deixando depois os ditos edifícios que vulgarmente chamamos de “Elefantes Brancos” ao abandono, onde custa mais mantê-los que executar as atividades voluntárias ou não, de apoio à população, para os quais foram criados. Sou completamente adversa à inauguração dos ditos centros interpretativos e então quando se fala em inauguração ou lançamento da primeira pedra, (e lá vou eu fazer nova referência bíblica) vêm-me à memória o “apredajamento” desumano e feroz de outras épocas. Tantos edifícios históricos fruto da história da nossa terra que deveriam ser recuperados, património de uma época que mostram a Humanidade de outras eras e que poderiam agora ganhar utilidade para uma nova humanidade.

Concluo, louvando o Voluntário de uma determinada causa do movimento associativo, mas também louvo o voluntário anónimo e de todos os dias de alguns, felizmente muitos, que pela sua humanidade tem verdadeiras atitudes cívicas para salvar o mundo e para nele vivermos todos, em conjunto, como verdadeiros filhos de Eva. Não esqueçam: “Salvar o planeta que é de todos, começa aqui, na Maia.” Ponha a sua máscara no lixo, não custa nada, o mundo agradece e a Humanidade também!

Carla Dias

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