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Maiambiente troca herbicida glifosato por ácido pelargónico

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O glifosato, um herbicida potencialmente cancerígeno ainda é usado na Maia, “pontualmente e com concentrações muito baixas, apenas em vias de comunicação públicas”. Câmara começa a testar alternativas.

A Maiambiente informou hoje que “a Câmara Municipal da Maia, responsável pela atuação nos jardins públicos, e a Maiambiente, responsável pela limpeza e manutenção dos arruamentos, estão fortemente empenhadas em encontrar soluções alternativas mais ecológicas, mas também eficazes, que permitam a limpeza dos locais públicos, seja através de monda térmica, mecânica ou biológica”.

Demonstração no Ecocaminho da Maia

A Maiambiente adianta que “amanhã, dia 16 de fevereiro, será testada a aplicação de ácido pelargónico, uma substância natural extraída das plantas, e comum na natureza, no Ecocaminho da Maia. A ação decorrerá integrada na inauguração da 2ª fase deste projeto”, sendo que o Presidente da Câmara Municipal da Maia irá testemunhar “os testes que serão feitos ao nível da monda biológica”.

A empresa alega que estas soluções “são menos eficazes e eficientes relativamente à monda química”, pedindo pelo facto, “compreensão por parte da população”.

Herbicida utilizado por necessidade de controlo de plantas invasoras

Na Maia ainda é utilizado o herbicida da marca Arbonal Star (solução concentrada contendo 450 g/l ou 37,5% (p/p) de glifosato), com o principio ativo do glifosato, nos restantes espaços verdes e vias públicas, ou seja, nos espaços não abrangidos pelo Decreto Lei nº 35/2017.

O Partido Animais Natureza (PAN), sobre a utilização destes herbicidas, afirma ainda ter conhecimento de aplicação do Pistol AV (40 g/l diflufenicão e 250 g/l glifosato).

O partido “desconhece os motivos que fundamentam a utilização desta substância em detrimento de processos mais seguros com recurso a meios manuais, térmicos, mecânicos ou biológicos”.

O PAN acrescenta ainda que “são muitos os estudos que relacionam o glifosato com alterações na saúde humana e não humana, nomeadamente, com o linfoma de Não-Hodgkin, alterações na gestação, autismo, doença de Parkison. Existem também avaliações que pretendem comprovar a inocuidade do glifosato, contudo entendemos que o princípio da prudência deve ser sempre contemplado quando se trata de saúde pública”.

Porto e vários outros municípios já deixaram de usar o glifosato

O glifosato é um herbicida sistémico não seletivo, ou seja, significa que mata qualquer tipo de planta. Segundo dados disponibilizados pela Quercus, em 2012, foram utilizadas em Portugal, 1400 toneladas deste pesticida com fins agrícolas. Entre 2002 e 2012, o uso do glifosato na agricultura mais do que duplicou.

“Face a estas informações, tendo em vista a saúde pública e uma prática ambiental sustentável, os serviços de ambiente da Câmara do Porto deixaram [em 2016] de usar qualquer tipo de herbicida químico para o controlo de plantas invasoras (ou potencialmente invasoras)”, afirmou em 2018 o município do Porto, através do seu portal de notícias.

Este controlo, obrigatório por lei, está agora, maioritariamente, dependente dos recursos humanos disponíveis, devidamente apetrechados com meios mecânicos, assim como, com a utilização pontual de alguns compostos de origem orgânica. Desta forma, a monda química (através da utilização do produto glifosato) deu lugar à monda mecânica, que substituiu a aplicação de fitofármacos.

Ao lado do Porto, cidades como Lisboa, Braga, Lousada, Castelo de Paiva, Vila Nova de Gaia, Funchal e Vila Real também já não usam o glifosato.

Em 2016, a Câmara de Matosinhos deixou de usar o herbicida. A proposta do então presidente, Guilherme Pinto, foi aprovada por unanimidade pelo executivo camarário. No entanto, em 2018 e já com Luísa Salgueiro na liderança do município, a Câmara Municipal aprovou por maioria que o herbicida voltaria a ser usado na limpeza da via pública.

De acordo com o Público, na base desta decisão, terá estado um relatório elaborado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), que achou ser “improvável” que o herbicida represente um perigo cancerígeno para os seres humanos. O fator económico foi igualmente um dos pontos decisores, tendo sido apontado que as soluções com base no glifosato são mais baratas, em relação às alternativas.

Indemnização de 290 milhões de dólares a doente com cancro

Especialistas portugueses, citados pela SIC em 2018, dizem que a utilização do herbicida com glifosato não provoca riscos para a saúde. Uma análise que contraria a decisão do tribunal de São Francisco, nos Estados Unidos, de multar a Bayer em mais de 250 milhões de euros. O tribunal considerou que o herbicida com glifosato é cancerígeno, tendo esta decisão provocado a maior queda dos últimos anos nas acções da farmacêutica alemã.

União Europeia renovou licença graças à abstenção de Portugal

Em 2017, a União Europeia (UE) prolongou por mais cinco anos a licença de utilização do glifosato, um herbicida já então considerado “provavelmente cancerígeno” pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A votação de Portugal foi crucial para a renovação desta licença.

Esta proposta de renovação por cinco anos do uso do glifosato, teve uma maioria qualificada de 18 Estados-membros a favor e foi apresentada ao Comité de Recurso – uma instância destinada a apoiar a tomada de decisões “em casos sensíveis e problemáticos”. Nesta instância, nove Estados-membros votaram contra e houve uma abstenção, nomeadamente, de Portugal, tendo sido assim reunida uma maioria qualificada de 55% dos países da UE.

Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, França, Grécia, Itália, Luxemburgo e Malta votaram contra o glifosato.

Cão ficou parcialmente cego em Viseu

Em setembro de 2018, o glifosato esteve mais uma vez debaixo de holofotes, mas agora devido a um caso que aconteceu em Viseu. Depois de um passeio matinal com o dono, Boris, um shar-pei de dois anos, ficou parcialmente cego. No regresso a casa, o dono, Lufeng Ye, apercebeu–se de que o animal começou a piscar insistentemente os olhos. Limpou-lhos com soro fisiológico, mas quando chegou à noite a casa viu que estavam inchados e não tinham sinais de melhoria. Levou-o então ao veterinário para ser observado e, como recorda Lufeng Ye ao i, “ficou provado que as queimaduras das córneas dos dois olhos foram de facto devidas a exposição a químicos”.

Por toda a cidade, três dias antes, “foram pulverizados herbicidas Roundup”, diz o homem, que assinala que “o facto foi confirmado pela Câmara Municipal de Viseu”. “Podem chamar-lhe coincidência, mas obviamente que deixa muitas dúvidas”, considera Lufeng Ye, que lamenta a conduta das autoridades perante o caso. “Certamente que se tivesse acontecido com uma criança, isto teria sido abordado de outra forma por parte das autoridades competentes”, acredita. Neste momento, “o olho direito está quase recuperado, enquanto o olho esquerdo estagnou nos 50%”, contou Lufeng Ye ao i.

Bayer garante que composto é seguro

A farmacêutica Bayer garantiu que o glifosato, composto usado em herbicidas, é “seguro e não cancerígeno”, após a sentença que confirmou os perigos do produto Roundup, comercializado pela agroquímica Monsanto. A garantia decorre de “provas científicas, sujeitas a exames regulares à escala mundial” e de “dezenas de experiências práticas de utilização do glifosato”, disse em 2018 um porta-voz da farmacêutica alemã Bayer, não identificado pela Agence France-Presse.

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