As audiências de um jogo de futebol entre equipas europeias dependem da fase da competição, da presença ou não de equipas do país que o transmite e da quantidade de adeptos que essa mesma equipa tem.

Cozinca

Na actual luta aguerrida entre SIC e TVI pelas audiências, principalmente em horário nobre, a SIC, que transmite em sinal aberto um jogo por jornada da Liga Europa desde que esta sucedeu à Taça UEFA, decidiu transmitir o Manchester United- Granada, jogo da segunda mão dos quartos-de-final da prova, na SIC noticias e não na SIC generalista para não comprometer a liderança do canal, atendendo aos resultados abaixo das expectativas dos últimos jogos transmitidos da competição.

E isto mesmo tratando-se de equipas de duas das principais ligas europeias: inglesa e espanhola respectivamente. E do cartão-de-visita que é sempre ver o canhão da Maia jogar pelos red devils.

Regra geral, a Liga Europa tem visibilidade no nosso país quando estão equipas portuguesas em competição (e de quais elas são) senão perde e muito para a Liga dos campeões, cujos direitos de exibição pertencem actualmente em exclusivo à Eleven sports, partilhados parcialmente com a TVI.

A liga milionária não é assim apelidada apenas pelos prémios, mas também pelos orçamentos dos intervenientes e pelas receitas dos direitos televisivos. Assim, esta não vive só dos adeptos das equipas envolvidas, mas da possibilidade para os amantes de futebol de ver os grandes clubes das principais ligas europeias a digladiarem-se entre si, em jogos que, por vezes, são verdadeiros hinos ao desporto-rei.

Por isso a noticia da criação de uma superliga por alguns desses ditos grandes clubes, caiu que nem uma bomba e abanou o futebol não só europeu mas mundial.

Imediatamente se levantaram vozes dissonantes, invocando que um grupo de clubes ricos e poderosos estaria a colocar em causa o acesso pelo mérito às competições europeias, abrindo espaço a uma discussão que na realidade peca por tardia.

Na realidade para que esse mérito ainda efectivamente existisse era preciso primeiro que as próprias ligas internas dos países fossem competitivas e justas. A maioria não são, fruto das diferenças aberrantes entre os orçamentos dos clubes, os interesses instalados e as arbitragens. O chamado negócio do futebol que o poluí há anos.

Já existe uma superliga encapotada na Europa, à qual pertencem os clubes que são campeões todos os anos e que por isso entram directamente para o pote 1 se pertencerem aos seis países com melhor ranking da UEFA, pela regra mais recente, mas que já antigamente iriam sempre pelo coeficiente do clube, num perfeito ciclo vicioso. Assim escapam desde logo aos “tubarões” que apanharão em fases mais adiantadas da prova (e alguns deles com sorte serão eliminados antes disso), permitindo-lhes ter grupos pelo menos em teoria mais fáceis – já nem falando da polémica das “bolas quentes” -.

Mesmo em ligas mais competitivas como a inglesa e a espanhola, que também são aquelas com melhor ranking e por isso têm mais clubes em competição, os intervenientes não variam muito.

Quando existem surpresas e há clubes diferentes que consegue o acesso à Liga dos campeões, directamente ou pelo play-off, como são “novos” e têm um coeficiente baixo, se não conseguirem ser campeões terão como destino o pote 4, condenados por isso a grupos “da morte”, tornando o apuramento para os “oitavos” quase impossível.

Dirão alguns “mas têm a montra que é jogar em grandes palcos da Europa, ganham dinheiro para investir na equipa e a possibilidade de disputarem contra alguns dos melhores clubes do Mundo”. Certíssimo. No entanto ingressam num sistema viciado à partida, inclinado e desigual, no qual já entram a perder, seja pelo sistema de potes, seja pelas arbitragens que, como nas competições internas, favorecem os clubes mais poderosos. Até podem ficar mais ricos apenas por participar, mas os que mais amealharão serão quase sempre os mesmos, os que menos precisam, os que já vivem de patrocínios e a diferença de orçamentos vai-se manter, por isso, proporcionalmente na mesma.

A Liga Europa e a fase de grupos da Liga dos Campeões estão moribundas e precisam de reformulação porque o que dá audiências hoje em dia são as disputas entre os grandes clubes da Europa.

E por isso todas as contestações advindas da UEFA à criação de uma superliga, não tiveram por base a questão do mérito mas o receio da perda das receitas dos direitos televisivos que alguns daqueles clubes geram.

Essas equipas limitaram-se a pensar “ então porque não jogamos entre nós e gerimos as receitas das transmissões dos jogos?”.
A UEFA e o futebol no geral estavam a precisar deste abanão. A prova disso mesmo são as mudanças que aquela pretende implementar na competição já a partir de 2024, redefinindo o sistema.

E só por isso já valeu a pena este reboliço. Vai-se a ver e se calhar até foi propositado. Porque no futebol como no poker, nem sempre é com boas cartas que se ganha o pote.

Angelina Lima
A autora escreve segundo a antiga ortografia

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