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“Os árabes acabam por viver a vida deles em separado da nossa”

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Cláudio Figueiredo tem 48 anos e é baterista. Nasceu em Moçambique mas veio para Portugal com apenas 7 anos. Viveu na Maia vários anos e, em 2013, depois de algumas experiências fora do país, partiu para o Dubai para seguir o seu percurso na música. O Notícias Maia falou com este “Maiato pelo Mundo” e procurou conhecer esta experiência que já leva mais de 6 anos.

Notícias Maia (NM): Como começa a tua aventura fora de Portugal?

Cláudio Figueiredo (CF): Eu comecei a sair de Portugal muito cedo, quando comecei a tocar. Comecei por viajar primeiro para Londres e passava lá umas temporadas. Antes disso tinha feito algumas tournées com artistas aqui em Portugal. Fui fazendo amizades com alguns músicos estrangeiros e isso ajudou-me a encontrar outras oportunidades fora de Portugal. Com a crise e a falta de grandes épocas de música ao vivo não era possível ter um trabalho mais regular. Tudo isto contribui para que eu optasse por trabalhar fora. Começamos por fazer temporadas e depois por voltar para Portugal mas depois, como não conseguimos a regularidade que temos quando saímos, acabamos por sair mesmo a sério.

NM: E como vais parar ao Dubai em específico?

CF: Eu tenho um amigo Colombiano que conheci na Indonésia e que já vivia no Dubai antes de eu decidir vir para cá. A dada altura ele comentou comigo que eu devia ir ao Dubai porque era um sítio interessante para músicos. Na altura fiz um contrato com ele e depois, mais tarde, surgiu a oportunidade de ir ficando lá mais permanentemente. Entretanto já passaram 6 anos. Eu vou e volto a Portugal mas, agora, até passo mais tempo no Dubai do que em Portugal.

NM: E como é o teu trabalho aí no Dubai?

CF: Eu estou numa agência de música que trabalha com alguns hotéis espalhados pelo Médio Oriente que têm sala de espetáculos. O que nós fazemos são temporadas pelos vários hotéis.

NM: Quando chegaste ao Dubai, qual foi a tua primeira impressão do país?

CF: É diferente. Tem muita coisa diferente do nosso lado ocidental. Mas foi fácil de aderir e de me adaptar. Tem algumas regras diferentes da Europa mas não é nada de outro mundo. O Dubai, em si, até é um país estrangeiro. É um país com quase todas as raças do mundo a viverem e a conviverem aqui. Por isso, no fundo, é uma cidade estrangeira.

NM: Quais são as diferenças mais estruturantes entre Portugal e o Dubai?

CF: Culturalmente é completamente diferente, não tem nada que ver uma coisa com a outra. O Dubai tem muitas regras próprias, como é o acesso à informação que nós, ocidentais, temos facilidade e que, aqui, não temos. Em vários aspetos o Dubai é um país muito fechado em relação ao resto do mundo. Mas é tranquilo e consegue-se viver sem problemas. Não vejo grande dificuldade em nada.

NM: Como é a convivência com os árabes?

CF: Os árabes, em si, vestem-se de forma diferente de nós, ele têm as roupas tradicionais mas também há dias em que se vestem com roupas ditas “normais”. As mulheres acabam por andar mais cobertas. O interessante é o convívio que temos com os árabes. Nós conseguimos ter um contacto com o homem árabe mas, com a mulher, isso já não acontece. Não existe esse contacto. Os árabes acabam por viver a vida deles em separado da nossa. Eles quase não se misturam com o resto das pessoas. A minha convivência aqui é basicamente com as pessoas que também são estrangeiras.

NM: Relativamente ao papel da mulher, já viste alguma situação que te deixasse incomodado?

CF: Eu nunca vi nada que pudesse achar injusto, como eles não vivem connosco, é quase impossível fazer qualquer tipo de observação. Eles fazem a vida deles. A verdade é que também há diferenças entre as várias zonas do Dubai, há sítios em que consegues ver mulheres mais descobertas e outras onde elas vivem mais no mundo delas com eles.

NM: Que tipo de país é o Dubai?

CF: O Dubai ainda é um país novo, um país em desenvolvimento. Apesar de aqui tudo ser feito para ser o mais fantástico e o mais excêntrico, a verdade é que o Dubai é um país que se está a formar e ainda há muita coisa que está por crescer. Mas é um país tranquilo, muito seguro. Só tenho coisas positivas a falar.

NM: O que é que o Dubai te deu que Portugal não poderia dar?

CF: O Dubai dá-me a regularidade que não consigo em Portugal. No fundo é o que a maior parte das pessoas que emigram, sentem. Tentam encontrar uma regularidade no trabalho que, em Portugal, é difícil.

NM: Como avalias a tua experiência destes anos no Dubai?

CF: Muito positiva, mesmo. Isto é como tudo, se regarmos sempre uma planta, ela vai crescendo e crescendo. No início começou de uma forma e, agora, está muito melhor. O trabalho, esse sim, está melhor. O nome que eu criei aqui está muito maior. Tenho mais facilidades em tudo.

NM: Já conseguiste aprender árabe?

CF: (risos) Falo umas coisitas, mas muito pouco! O pouco contacto com eles também faz com que não acabes por falar muito árabe mas ainda se diz umas palavras.

NM: Achas que a Maia tem produzido bons músicos?

CF: Sim, sem dúvida. Eu fui dos primeiros músicos a sair da Maia para ter uma carreira na música. A Maia tem muitos bons músicos, é uma das cidades do Porto que dá bons frutos musicais.

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