As redes sociais estão rapidamente a tornar-se no quinto poder, depois dos poderes Legislativo, Executivo, Judicial e Comunicação Social. A facilidade de acesso, a velocidade a que informação pode ser disponibilizada, a possibilidade do utilizador ser emissor e recetor de conteúdo e o grande número de pessoas que as usam, fazem destas plataformas um meio de comunicação obrigatório para qualquer instituição, empresa ou particular.

São plataformas digitais de excelência que não são o futuro, são o presente. As instituições que ainda não perceberam a mudança que o mundo da comunicação sofreu nos últimos 15 anos, tendo o Facebook já a idade de 16 anos, estão a viver no passado e a usar métodos errados.

A social media aproximou pessoas e diminuiu as distâncias ao poder. Mudou a forma de fazer política, mudou o jornalismo, mudou o relacionamento das marcas com os seus clientes. É possível contactar a nossa operadora de telecomunicações, o nosso médico, o político, a nossa autarquia, chamar a atenção para uma notícia errada, dar a nossa opinião sobre políticas públicas, com o mesmo processo e velocidade com que combinamos um jantar com amigos.

A Marktest Consulting no estudo “Os Portugueses e as Redes Sociais”, revela que 5,3 milhões de portugueses usam redes sociais, avança que o Instagram é a que mais tem crescido nos últimos cinco anos, que o smartphone se mantém como o equipamento mais utilizado e que mais de metade dos utilizadores segue empresas e figuras públicas.

Esta facilidade de acesso e democratização da possibilidade de comunicar, provoca naturalmente zonas menos saudáveis que escondem alguns perigos para os mais incautos. As regras sociais nestas plataformas, assemelham-se já muito às da vida não virtual. Este facto é ainda pouco compreendido para uma considerável percentagem dos utilizadores.

Uma publicação realizada por qualquer utilizador pode numa questão de poucos minutos tornar-se viral, chamar a atenção da comunicação social, fazer notícia e capas de jornal. Um simples registo em print screen, ou screenshot, pode gravar uma frase mal escrita, um post mal conseguido ou um momento de impulso, perpetuando-o na rede.

Esta realidade pouco regrada e quase nada moderada, é albergue para frustrações que todos podemos ler nas caixas de comentários em que o insulto fácil, muitas vezes através de um perfil falso, impera. Da mesma forma, a problemática das campanhas de desinformação é um perigo real, que importa combater.

Não tenho dúvidas que a importância das caixas de comentários é cada vez menor na formação de opinião, mas parece ser insustentável manter incólume a atuação de atores que pretendem desinformar, atacar e difamar.

Julian King, comissário europeu para a segurança, tem pressionado estas plataformas para fazerem mais no combate à desinformação e perfis falsos, assim como defende maior regulamentação nas técnicas utilizadas por meio de bots para disseminação de propaganda política. O comissário defende mesmo que se não houver desenvolvimentos significativos no combate à desinformação, surgirão leis europeias para regular as redes sociais.

Aldo Maia

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