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“Igualdade de género ou simplesmente bom senso?”

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Há factos incontornáveis: Homens e mulheres não são iguais. Se o fossem, não haveria transexuais nem a homossexualidade teria sido tão controversa ao longo da história. Cada género tem alguns traços gerais que contribuem mais ou menos para a imensa salgalhada de características que são as nossas personalidades.

Frases demasiado simplistas como “As mulheres podem fazer tudo o que os homens podem fazer!”, parecem-me à partida um tiro no pé… As mulheres nem sequer podem fazer tudo o que outras mulheres podem fazer. Eu sou mulher e nunca consegui ganhar uma medalha olímpica… Em nada… No entanto, consta-me que existem várias mulheres que o fizeram.

Embora o pensamento seja atrativo, não se pode dividir o mundo em Homens Vs Mulheres. Há demasiadas diferenças entre as pessoas que acabam por ser mais significativas do que o género. Há homens e mulheres mais semelhantes entre si do que um executivo de Wall Street e um Rastafari Jamaicano do mesmo sexo.

É evidente que durante muitos anos a sociedade foi liderada por homens e que essa hegemonia veio moldar o comportamento da mulher e a maneira como ela se vê na sociedade. Por isso custa-me que ainda hoje o próprio género feminino caia no mesmo erro de se generalizar.

A mulher é um “ser forte”, “corajoso”… Se assim é, porque é que temos de estar constantemente a relembrar-nos disto? Conheço homens “fortes” e “corajosos” que não recebem isto por escrito em todos os postais de aniversário.

Temos de nos mentalizar que hoje, no mundo civilizado, tal como nascer branco ou preto, nascer de um sexo ou do outro não é desculpa para reclamarmos características que gostaríamos de ter. Para ser forte e corajoso não há nada como arregaçar as mangas e fazer por isso.

Assim sendo não posso dizer que sou “feminista” até porque não sei o que a definição exacta do termo implica. Temo que mais uma vez seja uma palavra com demasiada carga social para aquilo que podia simplesmente ser resumido a racionalidade e bom senso básicos.

Não consigo perceber porque é que os movimentos feministas tendem a gravitar em torno dos casos de assédio sexual. Atribuir estes incidentes a uma mentalidade de grupo é estar a validar o mesmo “álibi” do qual nos estamos a tentar livrar. Porque é que cada indivíduo não pode ser responsabilizado pelos seus próprios atos, sem com isso arrastar uma data de livros de história atrás?

A verdade é que os escândalos sexuais têm tido cada vez mais áreas cinzentas e cada vez mais polémica por menos.

O que isto está a causar é um “des-serviço” à libertação sexual da mulher. Cada vez que um piropo mais gráfico é considerado assédio, damos um passo atrás na no processo de normalização da cultura sexual. Parece que as mulheres não estão a conseguir lidar com as consequências da libertação sexual, pela qual tanto lutaram durante os anos 60 e 70. Seria de pensar que se realmente as mulheres pudessem fazer tudo o que os homens fazem, teriam um escudo maior ao ser alvo de piadas brejeiras.

Uma vista de olhos à nossa imprensa consegue facilmente provar que quando um comentário mais infeliz à aparência da Carolina Patrocínio não acaba em lágrimas, é logo digno de nota : “Responde corajosamente às críticas dos fãs”.

Devo salientar que não tenho qualquer gosto especial em ser insultada. Sou “forte” e “corajosa” para admitir que sou mais sensível que a maioria dos homens! E não há nada de errado nisso, o mundo precisa de gente sensível, homens e mulheres.

Seja isto uma característica genética ou uma consequência da mulher ter sido de certa forma “resguardada” deste tipo de linguagem (impróprio para uma senhora) penso que é um dado adquirido que se hoje, ao jantar, dissermos ao Manel para parar de comer “que está a ficar um leitão” e à Maria para pousar o garfo “se não fica uma baleia”, apenas um deles nos vai dizer “até amanhã” com um sorriso.

Mariana Vaz

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